31 out/14

Botequim Ribeirão e a reunião mensal do Farofa

postado por Diogo Branco

Mais uma deliciosa reunião do Farofa Cultural aconteceu no Botequim Ribeirão, na última sexta-feira.
Deliciosa não apenas pelo fato de estarmos entre grande amigos, mas também pela qualidade de atendimento e pelas excelentes opções que o cardápio oferece aos seus clientes. O Botequim ainda conta com música ao vivo e diversos ambientes, todos aconchegante e cheios de requinte.



Com ótimas comidas e drinks criativos, o Botequim Ribeirão oferece no cardápio as mais diversas opções de porções, e por isso agrada a todos os paladares. Em nossa reunião, o destaque da noite foi o "Carpaccio", com mostarda e alcaparras. 




As amigas Juliana Sfair e Carol Piscitelli


Os farofeiros Juliana Sfair e Diogo Branco, desfrutando do conforto e qualidade que o Botequim Ribeirão oferece.


Se você quer conhecer um bar que alia conforto e sofisticação, com um exemplar atendimento, o Botequim Ribeirão se torna uma ótima opção.



BOTEQUIM RIBEIRÃO
Avenida Senador César Vergueiro, 984 - Jardim São Luiz
Telefone: (16) 3234-0248



30 out/14

Pato Fu ressurge com inéditas em "Não Pare Pra Pensar"

postado por Diogo Branco

Pato Fu está de volta.

Parar pra pensar?
Não é o que a banda mineira sugere com seu mais novo disco.
Sem lançar nenhum álbum desde 2007, a banda ressurge com um onze canções muito bem produzidas.




Bem mais dançante e rock'n roll do que os álbuns anteriores, este novo álbum é o primeiro com a presença do baterista Glauco (o baterista do Tianastácia entra no lugar de Xande Tamietti, que acompanhou a banda até então), e vem sendo produzido desde Maio, quando a banda anunciou no site oficial que um novo trabalho estaria chegando.

Mais recentemente, quando a banda publicou uma nota dizendo que o álbum já estava pronto, um clipe interativo da faixa "Cego para as cores" foi apresentado e muito bem recebido pela crítica. Como se trata do 12° álbum da discografia do Pato Fu, não surpreende dizer que há uma notória evolução na qualidade de produção e na sua sonoridade.



Distribuída em escala nacional pela Sony Music, "Não Pare Pra Pensar" presenteia seus ouvintes com dez boníssimas canções inéditas, como "Ninguém Mexe com o Diabo", e inclui a regravação de Mesmo que seja eu (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1982). O álbum chegará ao mercado fonográfico na primeira semana de Novembro, mas já está disponível em pré-venda no iTunes, e também pode ser escutado na íntegra através do site Deezer (clique aqui e confira).


Abaixo, as onze faixas de "Não Pare Pra Pensar", na ordem do CD em pré-venda no iTunes

1. Cego para as cores
2. Crédito ou débito
3. Ninguém mexe com o diabo
4. Não pare pra pensar
5. Eu era feliz
6. Um dia do seu sol
7. You have to outgrow rock'n'roll
8. Siga mesmo no escuro
9. Pra qualquer bicho - com Ritchie Court
10. Mesmo que seja eu
11. Eu ando tendo sorte






Diogo Branco é farofeiro e apaixonado por música.
 

29 out/14

O que quer ser hoje?

postado por Gabriela Yamada

 
As eleições passaram. Foram semanas e mais semanas de ataques horrendos, uns aos outros. Muitas vezes, gratuitos. Não sei o que foi pior: se antes dos resultados, ou depois. O que sei é que, graças a Dilma Rousseff e Aécio Neves, as pessoas colocaram para fora aquele lado "negro", que tanto tentam ocultar de si e dos outros. E muitas continuam, ainda, apontando para o lado -- ou, para o Nordeste -- e criticando, julgando, condenando. 
 
Simplesmente porque as pessoas, de uma forma geral, valorizam o negativo. O que é ruim, o que é debochado. E em meio a tudo o que é negativo, é divertido e prazeroso julgar as condições socioeconômicas alheias. Esta é uma das causas da felicidade de quem vive no negativo.
 
Não escrevo em defesa de Dilma ou dos nordestinos. Só para deixar claro, não sou filiada a nenhum partido político. Citei o fato para elucidar o tema que gostaria de tratar hoje: a valorização do negativo. 

Acontece do momento em que você acorda até a hora de ir dormir. Se você se colocar como um espectador, irá perceber facilmente como a onda negativa é dominante. Domina pelo medo, pelo julgamento, pela má vontade, preguiça.

Agora, se você se permitir uma análise mais profunda, irá perceber como você também está imerso num mar de negatividade. E não vale colocar a culpa em ninguém: a sua realidade é você quem cria.

Se coloque como espectador de si mesmo e responda, com sinceridade: do momento em que acordou até agora, quantos pensamentos negativos já teve sobre você mesmo ou sobre qualquer outra coisa? Ao andar pelas ruas ou entrar no Facebook, quantas pessoas já condenou hoje?
 
Existe a frase clichê: "Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo". Pois é. Se você guardasse as pedras que atira nos outros (e as que atira em você mesmo), já poderia ter construído grandes palácios. 
 
É possível viver no paraíso aqui e agora. É possível viver em paz, sem rancor, sem ódio. Não é o outro que lhe causa raiva. A culpa é totalmente sua por se permitir sentir tanta negatividade.
O outro está, apenas, manifestando quem ele é no momento. Você também está fazendo o mesmo.
 
Portanto, eu lhe pergunto: que tipo de pessoa você quer ser hoje?



Gabriela Yamada é jornalista e, às quartas, farofeira também.

28 out/14

Uma nova forma de amor

postado por Juliana Sfair

O amor requer tempo, até para entender claramente tudo o que não aconteceu ou que aconteceu.
O amor, esse sentimento tão amplo, nunca há de me vencer. Agora que a minha mente tomou a frente de tudo, agora que falo pouco e me emociono menos.
A emoção e o impulso revelam demais.
Ainda quero encontrar bons ouvintes, boas companhias, dessas que falam sobre a vida, o ser, o céu. Ainda espero encontrar quem fale das estrelas, quem fique em silêncio por pura necessidade e poesia, e que não faça do encontro o interesse de um bom contato ( tão triste isso ).
Parece que quando um encontro é baseado na autopromoção, fica uma lacuna enorme; e que os livros e as noites de solidão e criação, não valeram de nada.
Depois de anos lutando por reconhecimento, não restou mais espaços para interesses; na maioria deles machistas. 



[Juliana Sfair]

28 out/14

Dica Cultural do Farofa

postado por Diogo Branco

Hoje é dia de ...



Hoje nossa dica especial será voltada aos amantes de literatura!
O dia Nacional do Livro, comemorado no dia 29 de Outubro, receberá aqui em Ribeirão Preto, uma exímia homenagem em forma de Sarau!
*

Promovido pela Fundação Feira do Livro, o evento pretende expor a literatura produzida na região de Ribeirão Preto, e acontecerá na próxima quarta (29), às 19h, nos Estúdios Kaiser de Cinema.
*
Endereço: Rua Mariana Junqueira, 33, no centro de Ribeirão Preto. Mais informações pelo telefone: (16) 3911-1050.

IMPERDÍVEL !


26 out/14

Vida e obra de Salvador Dalí

postado por Diogo Branco



Exuberante, uma belíssima exposição do artista espanhol Salvador Dalí segue ativa em São Paulo até Janeiro de 2015.
Está ali uma oportunidade única de conhecer, de perto, a genialidade do pintor, que trilhou um excêntrico caminho no mundo das artes.
 *
Esse caminho excêntrico é dado pelo fato de que poucos artistas impactaram tanto o século XX quanto Salvador Dali, que, com sua obra imediatamente reconhecível, causou polêmica ao sugerir que o subconsciente humano servisse de inspiração. Para ter acesso às imagens do subconsciente, Dali induzia em si mesmo um estado alucinatório, método que chamou de "atividade paranoico-crítica".
*
Suas pinturas representavam um mundo onírico no qual objetos banais se trasmutam de maneira ilógica em meio a paisagens áridas e solares.
*
O embate entre o reconhecível e o indecifrável capturou a atenção do mundo das artes, sobretudo em obras como A persistência da memória (abaixo)



Dalí tinha uma reconhecida tendência a atitudes e realizações extravagantes destinadas a chamar a atenção, o que por vezes aborrecia aqueles que apreciavam a sua arte, ao mesmo tempo que incomodava os seus críticos, já que sua forma de estar teatral e excêntrica tendia a eclipsar o seu trabalho artístico.



Salvador Dali teve também trabalhos artísticos no cinema, escultura e fotografia. Também foi autor de poemas dentro da mesma linha surrealista.
Suas pinturas, porém, sempre se sobressaíram e se destacaram perante aos outros trabalhos artísticos do artista.

Cisnes refletindo elefantes
Cisnes refletindo elefantes (1937) é uma das obras mais importantes de Dali.

Nos últimos anos de sua vida, Dali sofreu forte depressão após a morte de sua esposa, tentou suicídio ao colocar fogo no seu próprio quarto e foi muitas vezes socorrido pelos seus amigos mais próximos. Morreu em 23 de Janeiro de 1989 de insufiência cardíaca.
*

SERVIÇO
A "Exposição Salvador Dali" está aberta em São Paulo desde o dia 18 de Outubro, no Instituto Tomie Ohtake, com um conjunto de obras formado por 24 pinturas, 135 trabalhos entre desenhos e gravuras, 40 documentos, 15 fotografias e quatro filmes do artista.
Horário de funcionamento: De 18/10 a 11/01, de terça a domingo, das 11 às 20h.
Instituto Tomie Ohtake Av. Faria Lima, 201 (Entrada pela Rua Corópes 88), Pinheiros.
Mais informações pelo telefone 2245-1900


Fontes: 
Website: www.biography.com
Livro "501 grandes artistas"

23 out/14

Lulu Santos e seu novo disco, "Luiz Maurício"

postado por Diogo Branco

Ele tinha apenas cinco anos de idade e estava em frente à Casa Branca, em Washington D.C., acompanhado de sua mãe, quando foram fotografados.
Luiz Maurício ainda não sabia que iria se tornar um dos mais laureados hitmakers do Brasil, assim como não esperava que aquela foto tirada em 1958 fizesse sentido décadas depois, tornando-se capa de seu 25° álbum.
Luiz Maurício Pragana dos Santos, hoje conhecido como Lulu Santos, continua tão inquieto aos seus 61 anos quanto na foto ilustrada em seu novo álbum. Sua sede de mostrar a todos seu potencial como músico não cessa, seus shows continuam a todo vapor e, neste novo trabalho, Lulu nos ensina que é sempre possível se superar, mesmo que isso pareça um desafio.



O álbum - que é o primeiro de inéditas do cantor e compositor carioca em cinco anos - já nasce como um sucesso. A finalização do álbum foi muito criteriosa, visto que, para o cantor, as comparações com seus consagrados álbuns anteriores viriam inevitavelmente à tona. 
"Luiz Maurício" tem doze faixas, e brinca com o tempo. A capa e o título do álbum remetem ao passado, mas suas músicas são remixes contemporâneos, passeando por funks e samba-rock. No olhar moderno sobre o mundo, alguns títulos compõem o álbum, como "SDV (Segue de volta?)" - e seus versos sobre tweets e a lógica da curtida, cruel e "mais velha que o Coliseu" - e "Drone" ("um passeio de drone por uma comunidade carioca"). O funkeiro Mr. Catra também aparece em uma das faixas do álbum ( "Michê"), e garante:  "Não é um funk comum, é um lance psicodélico-eletrônico".
 
O álbum começa com a homônima "Luiz Maurício", autobiográfica e dançante, sugerindo a excelência do conteúdo das músicas que vem a seguir.

"Eu não entendo de política/Não tive educação/O que não quer dizer que vá confundir fato com boato/Já vivi de aparência/Transitei na ilusão/Mas agora ando bem melhor/E muito menos drama".





Faixas do álbum "Luiz Maurício":

1 - Luiz Maurício (Dj Memê Remix)
2 - SDV (Segue de volta?)
3 - Michê (feat Mr. Catra)
4 - Sócio do Amor
5 - Drones 
6 - Torpedo
7 - Efe-se
8 - Fogo Amigo
9 - Lava - Jato
10 - Blueseado
11 - Luiz Maurício
12 - Sócio do Amor





Diogo Branco é farofeiro e apaixonado por música


22 out/14

2014 ou Sobre a Copa das Copas, Coca-Cola, Moda e o dia 26 de Outubro ou por que voto em Dilma ?

postado por Mateus Barbassa


*O texto que você lerá a seguir é de total responsabilidade do autor*




Até 2014 eu nunca tinha assistido a um jogo de futebol na TV. Até o ano passado eu achava que o mundo da moda era tão somente fútil. Até a semana passada eu tinha parado de beber Coca-Cola. Na eleição do primeiro turno desse ano eu não votei. Nas outras eleições anteriores também não. Fazia um tempão que não votava.
 
Sobre futebol, eu não achava graça ver não sei quantos homens correndo atrás de uma bola. Até que um dia assisti um jogo da tal "Copa das Copas" e fui comentando no twitter e no facebook. Me diverti horrores e acompanhei todos os jogos da seleção. Sobre a moda, eu como artista de teatro, achava que era tudo muito vazio. Até me ver metido nesse meio e ver o quanto de possibilidade interessante existia ali. Coca-cola tenho relação de amor e ódio. Já sobre as eleições, tenho que dizer que sou anarquista. Sim. Mas nesse 2° turno, manifestei abertamente meu voto em Dilma. Isso tudo pra quê? Pra dizer que somos seres contraditórios e que a beleza da vida é justamente essa.
 
Antigamente eu tinha uma postura de olhar o mundo do alto. Não é algo fácil. É preciso habilidade e carisma pra não cair naquela coisa chata de sempre questionar tudo e todos. Mas, sobretudo, é preciso que se diga que sim, é preciso questionar tudo e todos. Sim. Até a si mesmo. É desse questionamento diário que brotará a nossa mais profunda consciência. Gente que não se questiona, que fica o tempo todo cagando regra é chata e limitada.
 
Em 2014 eu descobri que a vida é plural, é puro saracoteio e que mundo inteiro é paralático. Que não existem verdades absolutas, nem mentiras sinceras... que a credibilidade é apenas um efeito especial e que não há somente Dilma e Aécio pra exercer um cargo de presidente do país... Não! Todos somos Presidentes! Mas somos covardes e adoramos jogar a responsabilidade sobre os outros para assim podermos dormir tranquilos. ("o mais profundo desejo é talvez entregar seu desejo a alguém".)  A leitura do filósofo Jean Baudrillard, especialmente do estupendo livro "As Estratégias Fatais" (ah, saudade da semana que passei quase trancando num hotel em Roma devorando-o) me esfregou na cara algo que até então fingia não saber:
 
"Devemos lembrar que o poder gira em torno de uma monstruosidade secreta e que levar alguém ao poder é mergulhá-lo no exercício difícil, sempre a beira do ridículo, de um privilégio sem contrapartida. Ele só pode se salvar pela ambigüidade e pela duplicidade. Se tirarmos toda a incerteza do exercício de sua força estaremos condenando-o de vez."
 
Tornei-me adulto ali. Pude, enfim, enxergar o desespero de ser humano e o quão admirável é estar liberado da necessidade da escolha. Baudrillard cita Brummel que diante de uma constelação de lagos virava-se pra seu empregado e perguntava: "Which lake do I Prefer?"
 
Daí que somos quase todos Brummel diante da constelação de lagos a indagar nossos empregados. Ouso dizer que a única diferença é que enquanto Brummel seguia cegamente o que seu empregado lhe dizia, aqui no Brasil, tenho quase certeza, que os patrões irão escolher o exato oposto no dia 26 de outubro. Mas para isso é necessário responsabilizar-se. Num país recente, mimado e infantil como o nosso estamos preparados? Sobre quem se fechará essa armadilha?




Mateus Barbassa.

21 out/14

A hora da estrela

postado por Juliana Sfair

Ficou o perfume de ontem, ficou você na minha noite chuvosa.
Meu perfume, meu vinho bom, minha loucura santa.
Você ficou na madrugada tranquila, na minha dor mais florida de palavras suas.
Seu cabelo fino, seus livros amontoados, seu teatro, meu teatro, Clarice Lispector.
Lóri, Macabéa, minhas lágrimas, seu olhar atento.
Lembrei daquela loja de decoração linda perto do seu prédio, daquele telefone em forma de boca que você disse que tem tudo a ver comigo, pelo fato de ser rosa e exagerado.
Lembrei do que não existe mais e suspirei fundo por nós. Nós que somos mais que corpos; somos almas de décadas.
Somos de outras esferas e nos encontramos para trocarmos “figurinhas” e questionarmos o mundo e suas mazelas.
Nos encontramos para comprarmos livros juntos, rir do que não se pode mudar e caminharmos juntos pelo lixo e LUXO da sua cidade que engole sem piedade “Macabéas e Lóris”.
A peça acabou e chuviscava. A platéia foi embora. Eu continuei nas frases, nas luzes e nos sentimentos.
Você continuou na minha trajetória: A HORA DA ESTRELA.
Mando-te beijos simples e exagerados.
Mando-te as aprendizagens e os prazeres de Lóri.
Iluminâncias sempre!



[Juliana Sfair]

20 out/14

O Sacrifício - Crítica de filme

postado por Mateus Barbassa

O filme "O SACRIFÍCIO" de Andrei Tarkovski é inquietantemente sublime. Onde o onírico tenta capturar o real. Mas onde a verdade está?



O filme conta a história de Alexander, um pensador, que abandonou sua carreira de ator para viver num lugar afastado da civilização, com sua mulher e seu filho pequeno.
É seu aniversário, ele planta uma árvore morta ajudado por seu filho e lhe conta uma parábola de um homem que regava todo dia uma árvore morta na esperança dela florescer novamente.
O garoto está mudo, uma cirurgia na garganta impede-o de falar. Seu pai, ao contrário, fala pelos cotovelos.
O carteiro entrega uma carta onde amigos desejam feliz aniversário para Alexander.
Familiares chegam para comemorar com ele. Tudo transcorre normalmente até que uma notícia na televisão deixa todos sem reação. Uma guerra nuclear é noticiada. Silêncio. Pânico. Cada pessoa ali naquela sala reagirá de uma maneira diferente. A iminência do fim de uma maneira bastante particular provoca aqueles personagens, retirando-os de uma apatia cotidiana.
Alexander, um ateu convicto, ajoelha, chora, reza um pai nosso e implora ao Deus que tudo volte a ser como era antes. Em troca, promete abandonar tudo e todos. A partir daí, o filme ganha contornos oníricos, onde “realidade” e “sonho” se misturam de um jeito que é quase impossível discernir o que é o quê?
Tarkovski ao falar sobre “O Sacrifício” escreveu:
 
"O assunto que abordo neste filme é, na minha opinião, o mais crucial: a ausência de espaço para a existência espiritual, em nossa cultura. Nós ampliamos a meta das nossas realizações materiais e conduzimos experiências materialistas sem levar em conta a ameaça que é privar o homem de sua dimensão espiritual. O homem está sofrendo, mas não sabe porque. Ele sente uma ausência de harmonia e procura a sua causa."

 
Essa ausência, esse silêncio provoca o tédio das relações humanas. Sim. Estamos todos entediados. Nada faz sentido. Se é que algum dia fez... Buscamos uma possível esperança num consumismo exagerado, em amores utópicos fadados ao fracasso. Sim. Talvez todos estejamos fadado a esse fracasso. Somos os expulsos do paraíso.
Tarkovski de alguma maneira única remonta a história contida no livro de Gênesis, a relação entre o pai (Deus) e o garoto mudo (homem) é uma maneira possível de enxergar o filme. O lugar escolhido pelo pai para passar seus últimos dias é paradisíaco (Jardim do Éden?) os dois (pai e filho) vivem em comunhão. Desfrutando de tudo aquilo proporcionado pelo meio em que vivem. Tudo exala harmonia. Até que os outros humanos (sempre eles) rompem com essa harmonia. A aproximação da guerra nuclear que extinguiria com a humanidade é um possível canal para restabelecer aquilo tudo que foi perdido.
 
"Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração. E disse o Senhor: Destruirei da face da terra o homem que criei, tanto o homem como o animal, os répteis e as aves do céu; porque me arrependo de os haver feito. " [Gênesis, capítulo 6, versículo 6-7]
 
Essa guerra nuclear anunciada no filme encontra eco no mito da Arca de Noé, em que Deus desiludido com a humanidade faz chover sobre a terra quarenta dias e quarenta noites, exterminando da face da terra todas as criaturas que fez.

 
Alexander é esse Noé contemporâneo. Cabe a ele salvar a humanidade. Mais que Noé, o protagonista de “O Sacrifício” é uma espécie de Jesus Cristo. Para salvar a humanidade, ele tem que deixar sua vida pregressa. Abandonar tudo: casa, família, status ... A exortação de Cristo "Vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e segue-me" é colocada de uma maneira um pouco mais radical. Para salvar a humanidade, Alexander terá que ter uma noite de amor com sua misteriosa empregada chamada Maria. Quem comunica-lhe isso é o carteiro da cidade no meio da madrugada. Essa figura tragicômica é extremamente interessante. Ele lê Nietzsche e discute conceitos como o do “Eterno Retorno” e confidencia ao amigo que sente como se nunca tivesse vivido, mas sempre esperando uma vida ...
Caberá a esse personagem o papel de revelar a verdade para Alexander, ele é uma espécie de emissário (um anjo?).

 
No princípio era o Verbo, o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. O papel da palavra no filme encanta, provoca o colapso, e é também responsável pela tentativa de religação do homem a Deus. Tarkovski faz um filme religioso, mas também vai além, o que ele busca é a transmutação de todos os nossos valores do cristianismo. Sendo assim, o filme se transforma num belíssimo libelo nietzschiano. 




Mateus Barbassa é ator, diretor teatral e crítico de cinema.



16 out/14

Conheça ''Oito", o álbum retrô de Marjorie Estiano

postado por Diogo Branco

Terceiro álbum da cantora Marjorie Estiano, "Oito" apresenta-se com uma nova estética.São oito músicas assinadas pela cantora, que garante: O nome do CD não tem nenhuma relação com isso.

Ela se cansou de ser a "interlocutora do repertório da novela Malhação".
Marjorie, conhecida como a cantora dos adolescentes, pretende rasgar este título.


Desde cedo, seu talento como atriz e cantora foram comprovados. O primeiro álbum foi um inesperado sucesso de vendas, e seu principal single "Você Sempre Será" tornou-se a segunda música mais tocada nas rádios em 2005. Seu segundo álbum, "Flores, Amores e Blablabá"  foi produzido com a preocupação de ser mais diversificado que o primeiro, porém manteve a marca de cantora pop rock.
Em "Oito", seu terceiro álbum, está atestado o crescimento da cantora - evolução já perceptível em seus shows - e exposto o aparecimento de uma compositora promissora. E o nome não tem relação com o número de faixas do CD. ''Escolhi o número oito porque faz alusão ao símbolo do infinito enquanto algo que é contínuo, em fluxo - algo em movimento. O número de faixas apareceu como coincidência do nome já escolhido."



Com participações de Gilberto Gil e Mart'nália, o álbum tem canções em inglês e em espanhol, além de uma versão de "Ta-hi" conhecida na voz de Carmen Miranda. Marjorie define a estética como retrô, com elementos de brega e anos 1960. Adulto, o disco foi produzido de maneira independente, com produção de André Aquino e lançado pelo selo Tratore.

O álbum está disponível no Youtube, e você pode conferir abaixo:






Diogo Branco é farofeiro e apaixonado por música

14 out/14

Ellen e o Tempo

postado por Juliana Sfair

Tarde de outono,Ellen vestia a blusa de lã que ganhara numa noite de inverno durante sua lua de mel. Tempos perfeitos ao lado daquele homem de alma misteriosa e sorriso sedutor.
Na cozinha, olhava como sua empregada preparava o bolo de cenoura, a fumaça que subia do bule de café forte e fresco.
Tantos cafés já havia saboreado naquela casa, tantos almoços, vozes, lembranças inocentes das pessoas que não sabem o que o futuro reserva, ou mesmo, não estão preocupadas com isso.
Ellen encontrou na biblioteca um livro bastante antigo, que já havia lido algumas vezes, mas por ser de fácil entendimento, sempre que sentia vontade repassava suas folhas novamente para lembrar alguma coisa do passado.
Conseguia através daquelas páginas sentir o cheiro de passagens doces; como um amor, um verão à beira mar, uma música que pertencia aos seus segredos de mulher.
Ficava horas sentada na cadeira de madeira com os cotovelos apoiados na mesa, enquanto o tic-tac do relógio encurtava sua vida. Para algumas pessoas o tempo é desesperador, mas para outras nem tanto.
Coração!Músculo fantástico que nos mantêm vivos, mesmo quando as piores adversidades acontecem em nossas mentes.
 

[ Juliana Sfair ]

13 out/14

O Tempo do Lobo - Crítica de Filme

postado por Mateus Barbassa

"Le Temps du Loup" (O Tempo do Lobo) de 2003 é um filme do diretor Michael Haneke. O enredo conta a história de uma família numa situação pós-apocalíptica.Não sabemos o que aconteceu? Nem como aconteceu?
Quando o filme começa, a catástrofe já ocorreu e em nenhum momento o diretor revela as razões. A situação é. Ou se entra na história ou não se entra. Haneke é assim “preciso”. Nada falta. Nada sobra. Seu cinema é essencial. Somente aquilo que tem relevância é mostrado.



Quando o filme começa, vemos uma família aparentemente feliz dentro de um carro no meio de uma floresta. Chegam até uma casa, retiram alguns alimentos e as malas do carro. Entram na casa. Lá dentro está um homem armado. Ele, a mulher segurando uma criança de colo e uma outra criança de uns 6, 7 anos de idade.
O homem com a arma na mão ameaça os proprietários da casa. O dono da casa tenta negociar. Consegue com que o homem com a arma na mão autorize que seus dois filhos saiam da casa. As crianças saem. Nova negociação. Um tiro. O homem com a arma na mão mata o dono da casa.
Haneke é tão genial que não mostra a morte. Filma apenas as reações a morte.
Isabelle Huppert logo em suas primeiras cenas já mostra a grande atriz que é; sua expressão fria, européia, calada é magistral, seus olhos marejados de lágrimas e sua reação de repulsa à morte é simplesmente fantástica.
A mulher e os dois filhos agora partem sem eira nem beira no meio do nada.



Soa sintomático que os nomes do filme de Anna (Huppert) atendam pelo nome de Eva e Benny. Dois nomes já utilizados por Haneke em filmes anteriores; Eva é o nome da menina que assiste curiosa e impassível a destruição de sua família em “O sétimo continente” e Benny é o nome do garoto assassino em “O Vídeo de Benny”.
Proposital ou não, essa simbologia dos nomes das crianças permite (a quem já assistiu os filmes), certa proximidade daquelas crianças. Parece que já as conhecemos.
Em todos os filmes que já assisti de Michael Haneke as crianças possuem um papel fundamental. É através do olhar ainda não decodificado delas que Haneke constrói seus filmes. O diretor filma como se fosse uma dessas crianças. Ele também parece não entender (por vias racionais) o que está acontecendo ali, ou quais seriam as motivações de cada um e até mesmo, indo mais longe, quem estaria certo e quem estaria errado.
Para Haneke, isso não interessa.
Interessa sim, filmar, filmar de maneira mais distanciada possível.
Sua câmera é quase documental, digo quase, porquê a mão ferrenha do diretor está por detrás de tudo. Haneke é tão genial, tão genial, que quase nos faz acreditar que seu cinema seja fácil de fazer. Não se enganem, é o mais difícil.
O diretor em nenhum momento, em nenhum mesmo, faz algum tipo de concessão. Seu cinema é extremamente pessoal e contemporâneo. Haneke tem um tema e desde seu primeiro filme “O sétimo continente” já o discutia com o espectador.
A sensação de não compreender direito o que se sente, não compreender o mundo que habitamos e as pessoas que nos rodeiam. A incompreensão de si mesmo.
É esse olhar incompreendido que o diretor filma.
 
Cinema incômodo. Haneke faz um cinema que “dói da flor da pele ao pó do osso” e que “rói do cóccix até o pescoço” (parafraseando a música de Caetano Veloso).
É impossível ficar impassível frente às propostas hiper-realistas do diretor austríaco.



Esse filme em especial mexeu muito comigo. A situação vivida por aquelas pessoas é muito parecida com a da peça que dirigi chamada “Suspensão” (de Lucas Arantes).
Tanto na peça quanto no filme, o mundo “acaba” sem nenhum tipo de explicação. Quando “Suspensão” começa, vemos três personagens (Ele, Ela e o Avô) habitando um mundo vazio. Cada um desses três personagens desenvolve um tipo de “loucura” para tentar sobreviver; ele sai todos os dias procurando vida nas ruas, ela fica obcecada com a ideia de ter um filho e repovoar o mundo e o avô busca na descrença mensurar o vazio. Não é uma peça fácil. A premissa inicial (o mundo pós-apocalíptico) é apenas uma metáfora, para falar do vazio que estamos vivenciando e também, do papel delegamos aos outros em nossas vidas.
O registro aqui é intimista, o que interessa na peça de Lucas Arantes é como aquelas pessoas sobreviveram e sobrevivem em meio ao caos.
A proposta de Haneke é parecida.
Anna vaga pela cidade em busca de alimentos e é rejeitada por aqueles que um dia foram ajudados por ela.
Haneke parece querer remontar os mitos bíblicos, vemos muitas passagens bíblicas ali materializadas.
Após muita procura e algumas pequenas tragédias, Anna chega até uma espécie de “sociedade” onde outros iguais a ela esperam uma possível salvação advinda da passagem de um trem.
Aqui é possível encontrar ecos da peça de Samuel Beckett chamada “Esperando Godot” onde dois personagens esperam, esperam e nada acontece.
Enquanto na peça de Beckett o registro é “absurdo” em “O tempo do lobo” é outro, mais próximo do real.
Foi Thomas Hobbes quem disse que “O HOMEM É O LOBO DO HOMEM” e é esse o ponto que interessa ao diretor.
Haneke é um obcecado pela ideia da maldade. Como ela surge? È da própria natureza humana? Ou é forjada por algum instinto de sobrevivência?
Não há respostas plausíveis, restam apenas algumas ações e são elas as responsáveis por tentar explicar algo.
Em nome de sua sobrevivência, o homem é capaz de qualquer coisa e embora tenha sentimentos tidos como nobres numa situação como à proposta pelo filme, a vontade de se dar bem em cima do outro fala mais forte.
 
(SOMOS TODOS MACUNAÍMA’S!)
 
Em justa medida, Haneke também traz o tema do outro, de como construímos e alicerçamos nossa civilização. Sim, somos seres ególatras, mas, não conseguimos ser sozinhos e há um vazio existencial em todos nós que nada aplaca.
No fundo, bem lá no fundo, somos todos tão parecidos, desejamos as mesmas coisas, temos as mesmíssimas necessidades e queremos todos sobreviver (se é que isso seja possível).
Toda a seqüência final é simplesmente soberba, a tentativa de possível “salvação” ao qual o filho de Anna recorre é comovente. A Bíblia nos ensinou que sempre um tem que sofrer para que os outros se dêem bem. Haneke parece não acreditar muito nisso não.
O take final é extremamente contraditório e cruel.
O diálogo final da peça “Esperando Godot” talvez explique alguma coisa:
Vladimir: Então, devemos partir?
Estragon: Sim, vamos.  
Eles não se movem. 


Mateus Barbassa é ator, diretor teatral e crítico de cinema.


12 out/14

Vida e obra de Rembrandt

postado por Diogo Branco

Rembrandt van Rijn é um dos grandes contadores de história do mundo da arte. Ainda criança, abandonou a escola bem cedo para começar seu aprendizado como pintor. Começou como aprendiz do maior pintor de cenas históricas da Holanda, Pieter Lastman. Munido de novos conhecimentos, ele voltou para sua cidade natal e abriu um ateliê onde produziu muitos de seus numerosos autoretratos.



Para capturar a própria imagem, Rembrandt usava dois espelhos, contorcendo o rosto em várias expressões e transmitindo essas emoções em seus autorretratos e também em várias cenas dramáticas. Os primeiros críticos consideraram seu método pura vaidade, mas estudiosos posteriores insistiram que se tratava de uma exploração da arte e do autoconhecimento.









Rembrandt fez experimentos com a consistência da tinta e com o papel da luz usando o chiaroscuro - a utilização da luz e da sombra para efeitos dramáticos, técnica famosa nas obras de Michelangelo Merisi da Caravaggio. As áreas iluminadas das obras de Rembrandt ocupam pouco espaço, com faixas de sombra no entorno e no fundo que reforçam a intensidade da luz, como se houvesse um holofote em meio à escuridão.
Ele personalizou esse método rejeitando o tratamento formal que muitos de seus contemporâneos davam aos temas e envolvendo suas composições numa aura de benevolência. 


Acima, a maior obra de Rembrandt, A ronda noturna, sobreviveu a guerras e ao vandalismo





Embora a produção de Rembrandt tenha diminuido no fim da carreira, ele continuou envolvido com o trabalho, buscando novos modos de se expressar. Suas pinceladas se tornaram mais amplas, menos contidas e em geral mais alegres, ao passo que os personagens se tornaram menos gestuais, assumindo uma postura mais rígida. Muitos críticos consideram esse período seu apogeu.
Com a diminuição das encomendas - e como Rembrandt continuava a comprar obras de arte para sua coleção particular -, ele teve de decretar falência em 1656. Sua casa e suas posses foram leiloadas.

Quando morreu, em 1669, Rembrandt deixou como legado obras que podiam ser comparadas às de quaisquer grandes artistas. Seu extraordinário talento com o pincel, giz e água-forte só é menor do que a genialidade com que retratou pessoas e sentimentos. Rembrandt observava o mundo a seu redor de um modo jamais visto antes e raramente igualado desde então.

Fontes:
Livro "501 Grandes Artistas"
Site Biography http://biography.com

11 out/14

Música de viola e cultura popular: Conheça a poesia das canções de Bilora Violeiro

postado por Josiane Santos

Forte e sutil, cotidiana e poética, a música do compositor junta o universo da cultura popular com a viola caipira.

Bilora é natural da “Comunidade do Córrego do Norte”, Santa Helena de Minas, Vale do Mucuri, divisa com o sul da Bahia e com o Vale do Jequitinhonha. Lá, desde menino, teve contato com a cultura popular local como folias, batuques, cantigas de roda, contradanças, festas juninas, cordéis, etc. Começou a cantar em 1988 quando, ao lado do parceiro João Brasil, participou do Festival de Música em Itanhém, BA.



Autodidata, Bilora já participou de vários festivais por todo o Brasil. Em 2000, foi um dos finalistas no “Festival da Música Brasileira”, organizado pela Rede Globo, com a música “Tempo das Águas”.



“Devo muito aos festivais da canção. Construí parte da minha história musical neles, por se tratar da valorização da criação musical, diferentemente dos barzinhos que priorizam músicas já conhecidas. Atualmente, resolvi me dedicar aos shows e tenho andado mais no interior de Minas”. – afirma Bilora.

Bilora já gravou 4 CD’s sendo o mais recente “Balanciô” que traz composições voltadas para sua região natal e conta com participações como a de índios Maxakali. O trabalho recebeu o “Prêmio Rozini de Excelência da Viola Caipira 2013”, como Melhor CD.

O artista também é um dos 6 violeiros do projeto VivaViola - Sessenta Cordas em Movimento, de muito sucesso de público e crítica em Minas em 2008/09 e 2010, além de integrar o projeto “Causos e Violas das Gerais” do SESC/MG que percorre o interior do estado de Minas com shows.        


Quem quiser conhecer um pouco mais sobre o belíssimo trabalho de Bilora Violeiro pode encontrar no site: http://www.bilora.com.br/

Sound Cloud:http://https://soundcloud.com/bilora/
                                                                                     
 
 
Josiane Santos é jornalista e, aos sábados, farofeira também.