31 jul/14

Conheça "Meus Quintais", de Maria Bethânia

postado por Diogo Branco

"Não existe mais quintal. Não como antigamente. As pessoas faziam questão de ter um bom quintal em casa, se reuniam ali...Vejo cada vez menos isso. É raro. Eu tinha um quintal na minha infância, que ainda existe, na casa de minha mãe." 
É com uma saudade interiorana que Maria Bethânia explica o título de seu recém-lançado "Meus Quintais", o 51º da cantora. 

O repertório viaja num Brasil rural. Um Brasil caboclo, cancioneiro, indígena. Em suas treze canções, o toque baiano é evidenciado em alguns momentos, e ocultado em outros, mas sempre funcionando como um aditivo de realimentação às raízes folclóricas contidas no álbum.
Sem grandes ornamentos orquestrais, a voz , irretocável como é de se esperar, se mostra como ingrediente principal do álbum, que ainda presenteia seus ouvintes com a inserção de um texto de Clarice Lispector na faixa "Iara" (inédita de Adriana Calcanhoto).


Maria Bethânia surgiu para o público como apenas e exclusivamente uma voz. Cantou para um teatro lotado, na Bahia, atrás das cortinas, no início de uma peça teatral . O público se impressionava a cada sessão com a voz daquela garota desconhecida. O espetáculo começava com uma força ímpar, associado àquela voz da menina de 17 anos. O sucesso, imediato e perene, sempre esteve associado com seu timbre, sua potência vocal, sua noção de divisão, enfim...sua voz peculiar. A preocupação com a imagem, que engessa tantos artistas atuais, nunca foi preocupação para a cantora. Sua voz basta.

Trata-se de um elo voz-pessoa. É indissociável.
Que venham sempre mais frutos dos quintais de Maria Bethânia.



Diogo Branco é apaixonado por música.
Ah, e farofeiro também.
diogo branco

30 jul/14

Confraternização do Farofa no Botequim Ribeirão

postado por Diogo Branco

No último sábado (26), o Farofa Cultural comemorou seus 6 meses de existência num dos melhores bares da cidade:  Botequim Ribeirão.
Os "farofeiros" ( como são chamados os membros do site ) puderam curtir a noite desfrutando do conforto e requinte que o ambiente proporcionou.
É claro que registramos muitos desses momentos para vocês:

O convidativo cardápio repleto de deliciosos pratos e bebidas sendo segurado pelas mãos dos amigos Diogo Branco (músico e idealizador do Farofa), e Cristiane Framartino Bezerra ( escritora, professora, produtora cultural).

Os farofeiros prontos para mais um encontro cheio de risadas e aprendizado,

O bar conta com uma bela estrutura com dois andares. O capricho e o bom gosto estão presentes em cada detalhe da decoração.
Quanto ao atendimento, não há do que reclamar: Os garçons são muito atenciosos com todos os clientes.

Quanto à comida, deixamos aqui nossa sugestão:

A porção de pastéis recheados foi aprovada por todos os farofeiros. Sequinho, muito recheado e saboroso.
Realmente, a porção é de dar água na boca. Vale a pena experimentar !

Num ambiente interno (e extremamente adequado para dias frios), a equipe do Farofa se sentiu em casa!


Os amigos Mateus Barbassa ( ator e diretor teatral ) e Juliana Sfair ( atriz, escritora ).

Luciano recebendo o Farofa no Botequim Ribeirão !


Carol Piscitelli, repórter do quadro "Farofando por Aí" e Diogo Branco


Se você quer conhecer um bar que alia conforto e sofisticação com um exemplar atendimento e preço bom, o Botequim Ribeirão se torna uma ótima opção.Nós, do Farofa Cultural, deixamos aqui nossa recomendação: Vale a pena conhecer o Botequim Ribeirão.


BOTEQUIM RIBEIRÃO
Av. Senador César Vergueiro, 984 - Jd. São Luiz
Telefone: (16) 3234-0248

29 jul/14

Aquele Garoto

postado por Juliana Sfair

Eu amava aquele garoto, ele era a minha respiração e meu doce desassossego.
Ele era mais que um golpe de marketing; era o apocalipse que destruía e depois viciava a minha mente.
A mentira mais bela, contada de forma segura e envolvente. 
O meu eterno pôr do sol, meu amor das quatro estações.
Aquele garoto era o meu apego. Um feiticeiro das tardes de Domingo.
Eu amava aquele garoto mesmo antes de encontrá-lo.
Aquele garoto tinha o mar no olhar. Era vago, livre, feliz.



[ Juliana Sfair ]

28 jul/14

A Árvore da Vida - Crítica de filme

postado por Mateus Barbassa


O filme "A Árvore da Vida" não se insere num mero "gostar ou não gostar?". É mais que isso. É além. Sua dramaturgia fragmentada busca nos confrontar com valores dicotômicos: o SILÊNCIO/AUSÊNCIA de DEUS "versus" o BARULHO/PRESENÇA de DEUS.

É um filme absolutamente pessoal, onde cada espectador é responsável por aquilo que vê-ouve-sente-reflete. Não há como fugir. Você vai ter que participar do filme. De alguma maneira. E vai ter que se colocar ali. Entendeu? Não apenas sentar a bunda na cadeira e ter tudo mastigado e ou assistir algo que não tenha a ver contigo. Nãooooooooooooooooooooooooooooo!

“A Árvore da vida” não é esse filme. Esqueça. Nós (os espectadores) seremos tratados como indivíduos e seremos os co-realizadores do filme. Sim. O diretor Terrence Malick faz uma obra onde o espectador (indivíduo) deve manter uma construção livre e ativa em relação ao filme. Sim. Ao retratar o cotidiano de uma família nos anos 50, o diretor também reconta a origem do próprio Universo. Como se ambas as coisas por mais contraditórias que possam parecer, fossem indissociáveis.
 
“Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o quê, mas sei que o universo jamais começou.”
 
Impossível não lembrar desse texto de Clarice Lispector. Sim. O Mundo começou com um sim. Sim. Sim. As imagens cósmicas brilhantemente mostradas no filme refletem esse pensamento. O que assistimos ali é a resposta de uma molécula para a outra: SIM!
 
A ruptura com o tempo cotidiano se dá justamente quando é mostrado o nascimento de um dos filhos do casal. SIM!
 
Mais uma vez penso em Clarice:
 
“Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer? Se antes da
pré-pré-história já havia os monstros apocalípticos?.”
 
Sim. Essa é a provocação que Malick nos faz. Como contar uma história com um começo, um meio e um fim pré-determinados se as coisas acontecem antes de acontecer? Como? Hein? Não é possível. E é exatamente por isso que o diretor usa e abusa de sequências absolutamente delirantes em que “Bing Bang”, células  e dinossauros recontam o SIM, o “começo” de tudo.
 
Mas Malick não explica nada, não faz um filme tatibitate. Não. Ele mostra. E nos questiona. Talvez o tema maior do filme seja o tempo. Ousaria dizer: TEMPOS. Sim. No plural. Em “A Árvore da Vida” vários tempos habitam o existir. É dessa relação concreta/complexa que brota o maior questionamento do filme. Qual é o meu tempo? Malick mistura cenas banais com outras oníricas. Elas não se misturam. Muito menos se completam. Não. Permanecem autônomas. Co-existindo. Assim como o tempo em que “perdemos” vendo-as. Essa desagregação temporal proposta pelo diretor, perturba nossos sentidos e também nossa expectativa. O filme não conta uma história. Conta várias. Depende do que você vê, do que você tem suporte para ver.
 
Eu, por exemplo, vi muito da peça “Álbum de Família” do gênio Nelson Rodrigues nesse filme. Assim como nessa peça, aquela família retratada em “A Árvore da Vida” também parece ser a primeira e última. Assim como na peça, o amor e ódio teriam que nascer entre eles mesmos. Sim. A fala do personagem Edmundo para a mãe na obra de Nelson, diz muito sobre o meu entendimento do filme:
 
“Mãe, às vezes eu sinto como se o mundo estivesse vazio, e ninguém mais existisse, a não ser nós, quer dizer você, papai, eu e meus irmãos. Como se a nossa família fosse a única e primeira. Então, o amor e o ódio teriam de nascer entre nós”.
 
Sim. As relações humanas surgem ali sufocantes, castradoras, contraditórias. Jack, o filho “rebelde” expõe toda a dor dessa relação quando diz (em voz-off) que aquele pai e aquela mãe habitarão sempre sua maneira de pensar e agir e que a dúvida entre qual comportamento seguir será eterna. Sim. Sempre haverá o nunca. Sempre haverá o sim. Basta escolher. Agora vem a pergunta crucial/cruel: Como escolher?
 
Malick não coloca a questão apenas no âmbito familiar, mas a redimensiona. Aquela família ali é metonímica. Aquele pai, aquela mãe e irmãos representam à maneira como Malick enxerga a existência humana. Eu vi ali naquela relação algo de divino/profano. Como se aqueles personagens fossem representações bíblicas. O filme está cheio delas. Desde a frase que abre o filme até citações ditas pelos personagens.
 
“Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens inteligência. Quem lhe pôs as medidas, se tu o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel? Sobre o que estão fundadas as suas bases, ou quem assentou a sua pedra angular? Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus rejubilavam?”
 
Aliás, essa frase do Livro de Jó é importantíssima para se entender o contexto do filme. Aquela família tão religiosa, tão temente a Deus será testada. Assim como Jô. Um dos filhos do casal morrerá. A fé deles será questionada.
 
Durante e após o filme, uma teoria peculiar foi se sedimentando em mim. Para mim, aqueles três personagens: Pai, Mãe e Filho “Rebelde” representariam entidades bíblicas. Eu explico: O Pai seria um Deus do Antigo Testamento. Punitivo. Autoritário. Ególatra. A Mãe seria a personificação de um Deus do Novo Testamento. Libertário. Amoroso. E o filho “rebelde” seria algo como Satanás. Sim. O anjo mais bonito do céu. Aquele que tentou ser igual a Deus. Ultrapassa-lo. Aquele que é responsável por tentar Eva a provar do fruto da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, a árvore da vida. De alguma maneira, aquele filho representa esse conhecimento. Sua dor, indecisão e frustração na fase adulta mostram que o fardo de provar do fruto dessa árvore é pesado demais. A experienciação vivida pelo filho mais velho é a de toda a humanidade. Sim. Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus. Somente o caminho ensinado pela mãe pode remir Jack (humanidade).

Enfim, “A Árvore da Vida” não é um filme. É uma experiência. Que propicia inúmeros pontos de vista. É uma obra aberta. Difícil. Lenta. Escorregadia. Mas absolutamente genial. A direção de Terrence Malick é soberba e segura. A iluminação é um deslumbre. Assim como a trilha sonora. Sim. É um filme sinestésico. Em que os sentidos do espectador são constantemente “despertados”. É uma obra única para espectadores também únicos. Malick inclusive usa em seu filme um recurso bastante “batido”, mas que obtém um resultado comovente. Os personagens falam muito em voz-off. Essas falas altamente questionadoras refletem o interior daquelas personagens. É como se elas estivessem rezando a um deus surdo-mudo. Como se elas tivesses eternamente esperando um possível Godot. Que não vem. Que não virá. Talvez. Nunca. “Quem somos nós pra você”? Questiona-se a Mãe. “O que eu quero fazer eu não posso. Faço o que eu destesto” balbucia o Filho. E o que ele deseja? Matar esse pai que o reprime.
 
”Seria tudo melhor se em cada família alguém matasse o pai!” diz Edmundo na peça “Álbum de Família”. Malick assim como Nelson não trata apenas do desejo, mas também do contra-desejo. “De quem você gosta mais?” pergunta Jack para sua mãe. O complexo de Édipo mina a relação pai e filho. O desejo absurdo de superar aquele pai faz com que Jack se torne um homem bem-sucedido, mas mesmo assim frustrado. Por quê? A chave de uma possível resposta talvez esteja numa cena comovente em que pai e filho quase resolvem o conflito existente entre eles. O sofrimento existe porque aquele garoto adquire a consciência de que se parece mais com o pai do que com a mãe. Esse estar cônscio de que é parecido com aquilo que lhe amedronta é um fardo dolorosamente pesado para o garoto. Novamente, só os ensinamentos da mãe poderão remir Jack.  
 
A imagem de um imenso dinossauro deixando de atacar um outro de tamanho menor, talvez tenha algo maior para nos comunicar. Ou não. Talvez. Sim. Talvez nós sejamos esse dinossauro pequeno que é poupado num gesto de extrema compaixão do dinossauro imenso. Ou não. Talvez. Sim.
 
“E - e não esquecer que a estrutura do átomo não é vista mas sabe-se dela. Sei de muita coisa que não vi. E vós também. Eu sei. Não se pode dar uma prova da existência
daquilo que é mais verdadeiro, o único jeito é acreditar. Acreditar chorando.”
 
Sim, Clarice. Sim, Terrence Malick. Sim. Ainda é tempo de morangos. Sim. SIM. S-I-M!




Mateus Barbassa é ator, diretor teatral e crítico de cinema.

26 jul/14

Botequim Ribeirão e Farofa Cultural!

postado por Diogo Branco

Estamos em festa !!!
No mês em que o Farofa comemora seis meses de existência, muitos presentes estão chegando!
Um dos presentes que recebemos é uma nova parceria com um maravilhoso restaurante de Ribeirão Preto!
Agora os farofeiros tem um novo local para suas reuniões e confraternizações!!!


O Botequim Ribeirão, famoso pelo seu bom atendimento e excelente qualidade de seus produtos aliados a um ambiente extremamente agradável e sofisticado, agora firma uma parceria com o nosso site.  
Conheça este incrível restaurante você também!!!

BOTEQUIM RIBEIRÃO 
Avenida Senador César Vergueiro, 984 - Jd. São Luiz
Telefone: (16) 3234-0248


25 jul/14

Cia dos Atores comemora 25 anos com espetáculo em Ribeirão

postado por Mateus Barbassa




 
Hoje o Sesc traz a Ribeirão Preto, às 20h30, o espetáculo “Conselho de Classe”, ganhador de 4 Prêmios Cesgranrio, 1 Prêmio Shell e indicado a 7 Prêmios APTR, será apresentado no Teatro Municipal.
 
Com César Augusto, Leonardo Netto, Marcelo Olinto, João Ostrower e Thierry Trémouroux no elenco, "Conselho de classe" é ambientada numa escola pública do Centro carioca e assinala as questões macro e micropolíticas da educação com a chegada de um novo diretor. O texto é do dramaturgo Jô Bilac com direção de Bel Garcia e Susana Ribeiro. O cenário é de Aurora dos Campos e levou o Prêmio Shell e Cesgranrio. A produção também faturou o Prêmio Cesgranrio nas categorias espetáculo, texto e direção.
 
“Conselho de Classe” faz uma abordagem realista do ambiente escolar, a fim de gerar um diálogo a respeito da educação no Brasil e da atual situação no mundo. Hoje, quem deseja trabalhar em uma escola pública? Se o professor é mal remunerado e trabalha sob condições difíceis, que tipo de sociedade está sendo construída? A encenação do encontro entre professores faz eclodir dilemas éticos e pessoais em meio a decisões que se confundem nas relações de poder da instituição escolar.

O espetáculo “Conselho de Classe” recebeu 1 Prêmio Shell (cenário) e 4 Prêmios Cesgranrio (espetáculo, texto, direção e cenário) e está indicado a 7 Prêmios APTR (espetáculo, texto, direção, ator, cenário e produção)



A montagem integra o projeto Ethos Carioca, que marca as bodas de prata do grupo. O projeto imprime uma de suas principais marcas: a parceria com outros artistas e companhias teatrais. Grandes nomes como Enrique Diaz, Marcelo Valle e Drica Moraes, uma das fundadoras do grupo, já atuaram nas produções da Cia dos Atores. Atualmente é formada por Bel Garcia, César Augusto, Gustavo Gasparani, Marcelo Olinto, Marcelo Valle e Susana Ribeiro.
 
Crítica Teatral
“As pertinentes discussões que afloram na reunião, em vez de pairar acima das personagens, só surgem em função da dinâmica que se estabelece entre elas. Todo o elenco é excelente, mas é preciso destacar o minucioso trabalho de Marcelo Olinto, eloquente até quando não fala.”
 
 Rafael Teixeira – Veja Rio
 
“A encenação é exemplar: a cenografia de Aurora dos Campos, com elementos comuns ao ambiente de uma escola tal como aquela em que trabalha esse grupo, cria o clima adequado, com figurinos igualmente certos de Rô Nascimento e Ticiana Passos, e boas à luz de Maneco Quinderé e a discreta trilha de Felipe Storino. Muito boa a direção de Bel Garcia e Susana Ribeiro, que souberam aproveitar o clima sugerido pelo texto, o cansaço, a mesmice, a diferença de personalidades e ideologias que afloram provocadas pelos problemas físicos e conceituais do inferno da vida na escola.”
 
Barbara Heliodora
 
 
Espetáculo de Teatro
CONSELHO DE CLASSE
Com a Cia. dos Atores
Dia: 25/07 - sexta Horário: 20h30
Local: Teatro Municipal. 500 lugares.
Classificação: 12 anos.
Ingressos:
R$ 10,00 (inteira) R$ 5,00 (usuário, matriculado, estudante e idoso) R$ 2,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado)
Sesc
Ribeirão Preto
Rua Tibiriçá, 50, Centro
Central de atendimento
(16) 3977-4472


Mateus Barbassa é ator, diretor teatral e crítico de cinema
 

24 jul/14

"Império" impressiona com trilha sonora

postado por Diogo Branco



Bastou tocar "Lucy in The Sky With Diamonds" na abertura da novela "Império", para meus ouvidos se sentirem presenteados. Depois de uma repetitiva sequência de MPB em aberturas de novelas, finalmente surgiu algo novo (especialmente depois de ouvir diariamente com a novela antecessora Ana Carolina retratando tramas óbvias da típica novela carioca "Em Família" ). Já fui muito noveleiro. Já cheguei ao ponto de adiar compromissos e cancelar reuniões pra assistir a Carminha, brilhantemente representada por Adriana Esteves em "Avenida Brasil". O tempo passou, me afastei das novelas, mas continuo ligado em suas trilhas sonoras. Não é novidade: Grandes sucessos televisivos sempre estão aliados a emblemáticas canções. Inclusive algumas delas só são sucessos até hoje graças aos noveleiros de plantão.

Músicos se tornam reconhecidos através do alcance proveniente do poder televisivo. Tome como base a cantora Vanessa Rangel. Famosa pela sua única e suficiente canção de sucesso, deve boa parte de seus inúmeros discos vencidos à novela Por Amor (1997). O canal "Viva" reprisou a novela e colocou "Palpite" como música de abertura, tão forte o seu reconhecimento.


A trilha sonora lhe rendeu anos de carreira. E como todo mundo pensa por associação de idéias, basta escutar "Palpite" , que o nome "Vanessa Rangel" vem logo em seguida. Nosso cérebro é repleto daquilo que chamamos de "Memória Afetiva", e temos facilidade de guardar as canções que estavam tocando num momento especial. E a associação de idéias funciona tão fortemente quando nos referimos às novelas, que é quase impossível escutarmos "Admiravel Gado Novo" sem lembrarmos da novela "O Rei do Gado" assim como é difícil escutar "Ando Meio Desligado " na versão da banda Pato Fu sem se lembrar de "O Anjo Caiu do Céu", e por aí vai.
E quando a trilha sonora se encaixa perfeitamente numa cena de novela? Anos podem se passar, mas basta tocar um acorde da música em questão, que nosso cérebro irá recordar perfeitamente da cena, do nome da personagem e da situação por ela vivida.


Na atual novela das 21h da Globo, "Império", uma mudança já estava prevista. O autor Aguinaldo Silva já havia dito que a trilha de abertura seria qualquer uma que não fosse da cantora Maria Rita, cuja voz esteve presente em outras novelas de sucesso do autor, inclusive "Senhora do Destino" que consagrou a cantora com "Encontros e Despedidas". Se a abertura fosse com a voz de Maria Rita, ele "cortaria os pulsos" (veja aqui).


De cara, "Império" ganhou um toque britânico com a abertura embalada por "Lucy In The Sky With Diamonds", dos Beatles , numa versão mais sutil de Dan Torres, mas mantendo o clima da sua versão original e seu belo arpejo. O cantor, que já participou ro reality global "Fama", conseguiu homenagear a banda britânica de uma forma singela e bela, sem grandes extravagâncias.

Como o próprio Dan disse há alguns dias durante uma entrevista: "Não dá pra melhorar Beatles"
Eu completaria: Quem quiser copiar ou imitar os Beatles já começa perdendo. As homenagens, sim, se fazem cada vez mais bem vindas e necessárias. Que nossas casas sejam sempre preenchidas por deliciosas trilhas sonoras.

***"Lucy in the Sky with Diamonds" é o título de uma canção composta e gravadas pelos Beatles em 1967, e faz parte do oitavo álbum da banda,  Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band.***


Diogo Branco é farofeiro e apaixonado por música.



23 jul/14

Risoto de arroz 7 grãos com tiras de filé mignon e shitake

postado por Andrea Tchu



INGREDIENTES (para 4 pessoas)

2 copos de arroz 7 grãos
200 ml de vinho branco
1 cebola grande picada
2 dentes de alho picado
100 g de manteiga
uma colher de shoyo
200 g de filé mignon em tiras temperados com um pouco de sal, pimenta e alho
150 g de cogumelo shitake cortados em fatias
1 litro de caldo de legumes
50 g de queijo parmesão ralado
Sal e pimenta do reino a gosto

 
PREPARO
 
Em uma panela coloque 50 g de manteiga. Refogue a cebola e o alho até a cebola ficar transparente. Acrescente o arroz (sem lavar) e refogue por alguns minutos. Coloque o vinho, mexa bem e deixe secar. Depois, cinco copos de caldo de legume. Deixe cozinhar até o arroz ficar “al dente”. Enquanto isso em uma frigideira refogue os cogumelos em um pouquinho de manteiga sem sal por cerca de cinco minutos, depois acrescente o shoyo e deixe secar um pouco. Em uma outra frigideira você deve grelhar as tiras de filé mignon. Quando o arroz secar misture com o refogado de shitake, a carne e desligue o fogo. Coloque o restante da manteiga e o queijo ralado, mexendo para encorporar e formar um creme. Sirva com parmesão por cima.


Andréa Bouchardet (ou "Tchu", como é chamada pelos amigos) é apaixonada pelas artes culinárias.
Cursou Gastronomia, e resolveu rechear seu cardápio de receitar fáceis e nutritivas.
Acesse o blog http://www.paladarfit.blogspot.com.br e conheça outras deliciosas receitas recomendadas por ela.
 
 

22 jul/14

Melancólica - Juliana Sfair

postado por Juliana Sfair

Ir ao supermercado é a coisa mais deliciosa que existe depois de um dia de trabalho.
Eu fico quietinha perambulando pelos corredores, observando pessoas, preços, dores.
Existe aquele cansaço nos olhos, aquele silêncio perdido, sem ninguém para compartilhar o desamparo.
Pensar no que comprar, pensar no que você certamente deixará na geladeira até vencer o prazo de validade e depois constatar que você só sabe comprar coisas pra si. Eu não sei o preço do arroz, feijão, farinha de trigo. Eu sei o preço do que me conforta quando eu não fico mais de 1 hora na academia.
Chegando de mansinho no estacionamento, aquelas luzes estáticas, o andar inseguro de muitos, de quase todos.
Eu também faço parte do todo, mas eu sou melancólica demais; e eu não sei escrever alegrias todos os dias.
 
 
Juliana Sfair é atriz, blogueira e autora do sucesso "Adorável Pecadora"

20 jul/14

Quando eu era vivo - Crítica de filme

postado por Mateus Barbassa

“Quando eu era vivo” do diretor Marco Dutra é mais um daqueles títulos a integrar a nova safra dos ótimos filmes brasileiros. Não chega a ser nenhuma surpresa, visto que Marco Dutra (juntamente com Juliana Rojas) já tinha dirigido o excelente “Trabalhar Cansa”. Nesse seu novo filme, o diretor dá prosseguimento num cinema calcado no gênero terror/suspense, mas aqui despido do contexto social de sua primeira obra.

Sim. “Quando eu era vivo” é um filme de terror. Mas não esse terror dos filmes americanos contemporâneos. Não. Sua inspiração são os clássicos. Seu suspense se dá nas entrelinhas, na dubiedade, no que não é dito ou mostrado. É cinema de construção. Existe uma história, um roteiro, mas somos chamados a todo o momento a elaborar o que está sendo visto ou ouvido. Nada é gratuito. E a história desenvolve-se de maneira lenta, privilegiando os personagens e suas idiossincrasias. É assim que somos apresentados a Júnior, que largou da mulher e está voltando a morar momentaneamente com seu pai. Ali, naquele ambiente onde outrora todos já moraram um dia, Júnior revive alguns traumas: a perda da mãe e a ausência do irmão. O pai (vivido por um Antônio Fagundes nada menos que brilhante) busca esquecer tudo isso. É será justamente nesse confronto entre presente e passado que será toda a problemática do filme. O futuro aqui não existe. A única figura a ansiar alguma espécie de futuro é Bruna, garota que aluga o quarto onde os irmãos já moraram um dia. Bruna é estudante de música e será peça fundamental para o entendimento do enredo. Júnior está sem presente e sem futuro. Não tem mais família, nem tampouco um emprego. A ele só resta-lhe o passado. Memórias. Lembranças. Os sonhos com a infância “feliz” são recorrentes. Mas o que eles esconderiam de fato?

Pouco a pouco, vamos sendo apresentados aos episódios que de certa forma traumatizaram aquela família. A mãe morreu de quê? Uma ou outra insinuação de suicídio aparece... Mas seria confiável? E o irmão? Onde ele estaria? Júnior passa as tardes remexendo nas caixas e mais caixas que pertenceram a sua mãe. Ali, ele se sente seguro. Ali, ele pode ser ele mesmo. E assim ficamos sabendo que a mãe dele era uma mulher muito religiosa e que fazia pequenos rituais com os filhos ainda pequenos. A trama ganha corpo e pequenos elementos começam a ser incorporados ao enredo, incomodando o personagem do pai. Ele não quer que se mexa no passado. Por quê? Teria ele alguma culpa no cartório? E qual a função da personagem Bruna? Sem nenhuma pressa, o diretor nos coloca dentro de uma história macabra. Seria verdadeira ou fruto de uma alucinação coletiva? Essa resposta nunca é dada claramente, pois o ponto de vista adotado pelo filme é o de Júnior e ele pode muito bem estar com algum tipo de loucura. Não seria algo novo dentro daquela família, nem no próprio ambiente em que aqueles personagens estão inseridos. Chega a ser sintomática que já na primeira cena sejamos apresentados ao louco do bairro, um homem que nunca é mostrado, só ouvimos seus gritos (assim como o louco da peça “Álbum de Família” de Nelson Rodrigues). Quem é este homem? Seria ele o sintoma de uma sociedade toda ela doente? Não estaria aqui a crítica social do diretor?

O cinema praticado por Marco Dutra é o de possibilidades. As histórias dependem do ponto de vista de quem as assiste. Os (des)caminhos propostos pelo roteiro são muitos e as pistas apontam que a figura da mulher é definitiva para o roteiro. A mãe, a nova inquilina, a ex-mulher, a nova namorada do pai, a “benzedeira”. Quem são elas? O que elas representam? Seria uma alternativa plausível coloca-las como “bruxas”, mulheres sedutoras e manipuladoras?  Não existe outra saída possível a não ser embarcar na história. Que sim se apresenta complexa e absurdamente assustadora. Esses sustos se dão, sobretudo, pelo clima do filme. Que ao longo da história sofre uma mudança fundamental. Começa um filme com uma luz clara, quase chapada, e vai ganhando contornos soturnos. O excelente trabalho de iluminação é peça fundamental para a compreensão do filme, assim como o desenho do som, que é impecável. Iluminação e Som tornam-se personagens. Bons personagens. O elenco é ótimo. Antônio Fagundes é sem dúvida o maior destaque do filme. Marat Descartes está bem, mas num desempenho monotemático. Talvez característica do papel? Hummmm, não sei... mas... Sandy se sai muito bem em sua primeira incursão num cinema mais sério. Ela é a voz do filme. E, se no começo temos alguma dificuldade em desvinculá-la de toda sua trajetória musical, do meio pro final isso fica pra escanteio, sobretudo na cena ritualística, quase demoníaca que ela domina muito bem. Gilda Nomacce, apesar de participar de poucas cenas arrasa em todas elas. Ela é um possível respiro cômico num filme todo ele tenso.
Enfim, “Quando eu era vivo” é um filme de gênero raro na cinematografia brasileira e que fica martelando na sua cabeça muito tempo depois do fim. Recomendo.

 
Mateus Barbassa é ator, diretor teatral e crítico de cinema.

18 jul/14

O Lobo Atrás da Porta - HQ

postado por Arnaldo Junior

Na semana de estreia do filme "O Lobo Atrás da Porta", nosso farofeiro cartunista Arnaldo Junior também presta sua homenagem em forma de HQ.

17 jul/14

Black Carlos no Sesc

postado por Diogo Branco

A Banda Black Carlos, formada por Toni Garrido, George Israel e Felipe Cambraia se apresenta hoje no Sesc.
Com a proposta de homenagear a fase black music de dois grandes ídolos da música nacional (ambos com sobrenome "Carlos"), a banda não irá apenas apresentar um show com músicas de Roberto e Erasmo, mas sim novas roupagens que garantem um espetáculo inédito.

No repertório, destaques como "Quando", "As curvas da estrada de Santos" e "Todos estão surdos" cumprem a missão de se fazer uma bela homenagem à música nacional, apresentando como resultado uma sonoridade funky-rock-psicodelic.
Imperdível!



SERVIÇO:

Show Black Carlos
Dia 17/07 - quinta
Local: Galpão de Eventos do Sesc - Ribeirão Preto
Horário: 20h30

Classificação: 16 anos
Ingressos:
R$ 10 (inteira)
R$ 5 (usuários, matriculados, estudantes e idosos)
R$ 2 (trabalhador no comércio e serviços matriculados)

Sesc Ribeirão Preto
Rua Tibiriça, 50, Centro
Central de Atendimento:
(16) 3977-4472

15 jul/14

Regras - Juliana Sfair

postado por Juliana Sfair

Estava lendo Schopenhauer sobre o sofrimento do mundo. Sempre leio devagar, para digerir, para refletir.
Poucas vezes concluo, afirmo. A vida é instável, mas pelo menos consigo chegar a algumas considerações.
O grande sofrimento do mundo é o medo de assumir o que quer, é deixar seus planos e sonhos para as outras pessoas realizarem.
Isso gera sofrimento, o amor verdadeiro deixou de existir, o que existe é uma troca de interesses
( é a minha concepção, e não estou pedindo conselho ).
As qualidades intelectuais possuem uma grande influência no contínuo relacionamento das pessoas. Sempre está em jogo o que o outro pode te oferecer.O grande sofrimento do mundo reside na hipocrisia, reside também no medo de não ser aceito.
Comportar-se, ter uma religião, casar, ter filhos e mulher TEM que saber cozinhar
 ( caso contrário, gera o espanto e horror  ).
Ô chatice essa coisa de seguir regras, o comportamento submisso como forma de ideal.
Abrir a mente e fazer o que realmente interessa é a grande sacada para pequenas alegrias ( felicidade 24 horas por dia não existe ).
 
 Juliana Sfair é atriz, blogueira e farofeira.

 

14 jul/14

ALABAMA MONROE - Crítica de Filme

postado por Mateus Barbassa

As diferenças. As dificuldades. O mundo. Duas pessoas. O que as move para que fiquem juntas? (Suspiro) Não sei. Acho que ninguém no fundo sabe. É algo. Impossível responder racionalmente. O amor não é nada racional. Apenas é. E cabe aceitá-lo ou lutar contra.

O filme “ALABAMA MONROE” ("The Broken Circle Breakdown") trata exatamente desses temas. O filme é uma tragédia. Retrata humanos defrontados com o fim. Só que antes do fim tem o começo. E tem o meio. E tem a vida. Sim. Novamente criação, manutenção e destruição. As três forças vitais. Não é um filme fácil. Longe disso. Mas é um filme sobre nossa humanidade falhada. Sobre nossa impotência perante a morte. Do quê? De uma filha... do amor... ou de si mesmo. Nascemos. Vivemos. Morremos. E isso é um exercício diário. Mas não nos damos conta disso.

E num belo dia defrontamo-nos com o imponderável. Tudo ia bem. E de repente... É. Pois é. Como lidar? Somos humanos almejando uma impossível eternidade. Também queremos ser Deus. Mas qual Deus? Tem tantos por aí. Até nisso temos que escolher. Perdidos no tempo e no espaço. Sem bússola. Sem norte. Sem nada. Mas podemos exercer nossa pequena divindade humanizada quando amamos. No amor somos Deus. Mas temos medo. Tanto medo. Olha a posse. Cuidado com a posse. A Posse é destrutiva.
E aí, acontece que no mesmo instante em que começamos a amar, também começamos a sentir medo. E aí, começamos a sofrer. E de certa forma, começamos a nos preparar para a perda. Já sabemos de antemão que perderemos. Já entramos em campo derrotados.

Sim. Perderemos. O pai. A Mãe. O Filho. A Casa. O Amor de nossas vidas. Nada dura pra sempre, repetimos numa espécie de mantra acalentador. O que nos conforma é que todos os outros também perderão. Uns mais. Outros menos. O fato é que a tragédia chegará. Estamos todos condenados. O que fazer com isso? ”ALABAMA MONROE” nem tenta responder essas perguntas. Não. É um filme desesperado. Urgente. Um grito. Uma cabeçada na parede. Precisamos saber que há vida pulsante em nossos corpos. O filme é só sobre isso. Só.


Mateus Barbassa é ator, diretor teatral e crítico de cinema.

10 jul/14

"O Lobo Atrás da Porta" - Lançamento de filme

postado por Mateus Barbassa

Com trama tensa e diferente de tudo o que já foi visto no cinema nacional, "O lobo atrás da porta" é um suspense impactante.
Confira as opinões de quem esteve presente no Avant-première do filme aqui em Ribeirão Preto, no Cinépolis do Shoping Santa Úrsula.



SERVIÇO:
No Cinépolis Santa Úrsula: 13h10, 17h30 e 20h20
No UCI Ribeirão Shopping: 13h30, 15h45, 18h00, 20h15 e 22h30.