30 ago/14

Entrevista com Vitor Fantoni - Cruel Cavan

postado por Mateus Barbassa

“A Vida sem Utopia é uma Mentira”, como uma espécie de Dom Quixote Hiper-Contemporâneo, um menino de 20 anos de idade abandonou um Curso de Letras na USP, passou 15 dias trancado num processo que ele define como sofrido, depressivo e claustrofóbico (uma “infecção”) de composição e gravação de nove músicas que levariam o nome de “Desejo Deserto” do primeiro álbum da “Cruel Cavan”.
 
Quem é ele?

Na minha primeira tentativa de “descobrimento”, ouvi algumas músicas do cd e mandei cinco perguntas por email. Prontamente ele respondeu. Não fiquei satisfeito com as respostas. Não porque elas tenham sido ruins, pelo contrário. Mas porque minha curiosidade só fez aumentar. Na segunda tentativa, bati um papo por telefone. E descobri várias identificações. Várias paixões em comum. Por fim, marquei um café e gravei uma conversa de mais de uma hora no celular. Conversamos sobre assuntos vários e mesmo assim não foi suficiente. Com todo esse material em mão, entrei numa espécie de cilada: como colocar aqui tudo aquilo que foi conversado. Missão Impossível. Mas prometo tentar.

Talvez devo começar por revelar seu nome: Vitor Fantoni, compositor, criador e militante da música. Inicio essa jornada com a entrevista por email. Nosso primeiro contato.
 


Mateus Barbassa -  “Cruel Cavan” é uma banda com pouco tempo de estrada. Então, gostaria de começar perguntando, como foi o processo de formação de banda? É verdade que você abandonou o curso de Letras na USP de São Paulo, para se dedicar à banda?

Vitor Fantoni - O processo de formação da Cruel Cavan primordialmente começou quando me dei conta de que "quem não se movimenta não sente as correntes que o prendem"; encontrei na música a maneira sincera em que sei me movimentar.
 Sempre escrevi e escrevo músicas, aceitei honestamente que era isso que me chamava pra vida, criei então o albúm "Desejo Deserto" e comecei de fato essa travessia.
 Ou, talvez, pra ser menos "rasteiro", a origem da formação esteja no fato de eu sempre ter gostado muito de arqueologia. De certa forma, acho que a Cruel Cavan faz isso atualmente.
 Abandonei apenas o curso formal de Letras na USP-SP, mas informalmente me dedico aos estudos até da própria Universidade com muito mais dedicação e fascínio do que quando a cursava. Na realidade quando fundei a Cruel Cavan de certa forma entrei em um novo curso, mais amplo e fantástico em mim.
 
MB - Ao escutar o álbum “Desejo Deserto” pela primeira vez, senti a necessidade de ouvir as músicas acompanhadas pelas letras delas. Sua verve literária é muito forte. E as imagens criadas são cheias de figuras de linguagens. Há um requinte extraordinário nas letras. E as canções funcionam como capítulos de um possível livro. Além de ser o vocalista, você é compositor da banda, como se dá seu processo de criação das letras? Como se dá essa simbiose entre música e literatura? Existe uma separação? Ou uma letra de música é também literatura?

VF - A criação disso tudo é a simples união interna das atividades de arqueólogo e parteiro: eis como encaro o processo de nascimento e invenção das letras e da parte instrumental. E tudo isso certamente dentro do sertão: aquele que está em todo lugar...
 Entendo o porquê de categorizações feitas pra separar literatura e música, pra fins de análise são usáveis, mas creio que na alma tudo é uma coisa só: linguagem.
 
 
MB - Ainda sobre literatura... Quais autores você mais lê ou admira? E qual aquele que mesmo que incensado pela crítica literária, você leu e não gostou? E qual autor você nunca leria?
 
VF - Leio muito (Guimarães) Rosa, Clarice (Lispector) e Tolstoi. Além de outros estrangeiros e nacionais, mas esses três citados são os mais íntimos. Acho que não gosto muito do Shakespeare, porque quando eu leio suas obras fico puto por ele estar morto e eu não poder sequer pagar uma breja pra ele em agradecimento as descobertas que seus textos causam em mim. Acho que eu nunca leria Stephen King, até da bruxa da branca de neve eu tenho medo.
 
MB - O primeiro álbum da “Cruel Cavan” tem uma pegada bastante experimental, percebi muito a influência de “Mutantes” nele. Essa é influência real pra você?


VF - Sim, gosto bastante de Mutantes. Passei a conhecer o trabalho deles graças ao meu tio Bene que me apresentou a discografia completa, o que me fez perceber que muitas das grandes músicas dos Mutantes são as menos "populares". Conhecer um álbum completo permite entender o contexto da linguagem e clarear o mistério, ou ampliá-lo, o que talvez é ainda melhor.
 
MB - Como você enxerga o cenário musical ribeirão-pretano?
 
VF - Enxergo com a visão de um recém-nascido. Hoje tenho 20 anos e apenas alguns deles no cenário musical. Porém, mesmo com esse olhar ainda não muito vívido, vejo pessoas extremamente interessadas em música, em arte, em descoberta, em criar, em fazer-acontecer. São muitos nomes, seria injusto citar porque a memória pode acidentalmente esquecer de alguns. Mas Ribeirão Preto é uma terra fértil, física e espiritualmente. É um grande sertão, infinito pra quem quer...
 

 
Fim da entrevista. Óbvio que quando li o nome da minha escritora predileta (Clarice Lispector) como influência dele, peguei o telefone e liguei. Batemos um papo durante uns 30 minutos. Infelizmente não gravei a conversa. Mas falamos basicamente sobre arte. E foi nesse papo que descobri que ele é sobrinho de um amigo meu (do teatro), que ele também já foi ator (estudou na Escola Célia Helena) e que compôs e gravou todos os instrumentos (exceto bateria) do álbum SOZINHO. Fiquei estupefato. Como assim?

Marcamos um café no dia seguinte. 20h lá no Mousse Cake do Shopping Santa Úrsula. No bate papo estávamos eu, ele, um outro integrante da banda (Vitor Castilho), a fotógrafa da banda e a fotógrafa do Farofa (Francielle Flamarini). Pedi um suco de frutas vermelhas e ele não pediu nada. Alegou que já tinha jantado. Mas bebericou alguns goles de água do xará de armadura (Vitor Castilho). Dessa vez, não bobeei e gravei a entrevista toda.

Comecei logo de cara perguntando sobre a origem do nome da banda. Eu, em minha ingenuidade, pensava se tratar de um nome estrangeiro ou algo do gênero. Que nada! Fã de Guimarães Rosa, Fantoni criou um neologismo influenciado pela obra “Dom Quixote” escrita por Miguel de Cervantes há mais de 400 anos. Na terceira leitura do livro, ele teve uma espécie de surto parecido com o do protagonista da obra e decidiu ali iniciar sua jornada de cavaleiro andante. “Cavan” vem da síntese dessas duas palavras (CAValeiro ANdante).

OK. Mas e o “Cruel”?

Fantoni diz que se inspirou nos versos bíblicos “Estreito é o caminho que leva à salvação e são poucos os que caminham por ele” para se lembrar constantemente que se permitir a essa jornada foi como caminhar “pelo vale da sombra da morte”. Nesse processo de libertação, largou a faculdade, perdeu quinze quilos, entrou em depressão, compôs e gravou (praticamente sozinho) nove músicas e saiu em busca de novos companheiros para o seu sonho quixotesco.


Foi então que no dia do famigerado jogo da seleção brasileira contra a seleção Alemanha (07x01) num show do Foo Fighters Covers que Fantoni encontrou o primeiro membro para sua Trupe: Vitor Castilho. Convidou-o por inbox no facebook. Castilho conta que ao ouvir algumas músicas (duas ou três) sentiu um misto de identificação e estranheza e se reconheceu de certa forma ali. Assumindo-se também como um cavaleiro andante e mergulhou de cabeça no projeto. Novos integrantes foram incorporados e hoje a banda é composta também por Panda  e Luque Gaspar.
 
O processo de afinação desses músicos todos é definido como “sair da casa e surtar”. Aliás, “surto” e “infecção” são palavras continuamente repetidas por eles. Fantoni diz que a arte é sua benzetacil. E que a melancolia é um sentimento necessário para sua criação. Não só ela, como também todos os sentimentos (mesmo aqueles taxados como negativos) como matéria de sublimação e nunca de recalque. Digo então que a bondade por si só é inócua. Eles concordam. Nossa fotógrafa chega. Eu peço uma quiche de frango. E o papo continua. Dessa vez sobre a Usp, socialismo, militância, política, música... Frases e mais frases são citadas... Nietzsche, Guimarães, Baudrillard... e a conversa ganha um contorno político-social muito forte. A hora passa depressa e ainda precisávamos tirar algumas fotos para ilustrar a matéria. Como a banda tem uma pegada literária muito forte, marquei as fotos na Livraria Saraiva, exatamente na seção livros de música (do ladinho de Nirvana, Beatles, Jovem Guarda). Algumas poses depois, subimos para a seção de discos e gravamos o teaser que você acompanha no final da matéria. Fantoni fez questão de gravar o vídeo ao lado do cd da banda britânica “Artic Monkeys”, segundo ele, “pra dar sorte”. O primeiro take algo sai errado. Gravamos mais uma vez e encerramos as atividades. Fantoni e Castilho correm para o último ensaio da banda antes do show de abertura do 1° MGB FESTIVAL que acontece hoje no Estádio Palma Travassos em Ribeirão Preto. O evento inédito na cidade, reúne música e gastronomia e contará com a presença de outras bandas ribeirãopretanas e também do Detonautas encerrando as atividades.


”Tudo é e não é
O Sertão é o sozinho
Indescritível o que carrego comigo
Viver não é tão perigoso no infinito
Ninguém é doido, ou, então, todos, meu amigo...
 
Travessia que espera por mim
Travessia que espera por mim”





Mateus Barbassa é ator, diretor teatral e crítico de cinema.

 
 



29 ago/14

Reunião no Botequim Ribeirão

postado por Diogo Branco


As reuniões são essenciais para um bom trabalho em equipe.
Elas servem como ponto de encontro para discussões, decisões e avaliações conjuntas. Garantem alinhamento de idéias e planejamentos.
A equipe do Farofa Cultural se reune mensalmente visando um bom andamento do site. É ali que o Farofa entra em pauta, e o resultado dessas reuniões são vistas de maneira efetiva no decorrer da semana, com suas constantes atualizações sobre os mais variados assuntos.

Para as reuniões se tornarem ainda mais especiais, nada como escolher um bom ambiente, que proporcione conforto e tratamento especial.
No Botequim Ribeirão, o Farofa Cultural encontrou não apenas um novo parceiro, mas uma preocupação visível de realizar um bom atentimento com todos os seus clientes, uma qualidade excepcional em seus pratos e bebidas, e um ambiente realmente acolhedor.
DIOGO+BRANCO
Os farofeiros Carol Piscitelli e Diogo Branco. 



A escritora Juliana Sfair, também presente na reunião do site.


Equipe Farofa Cultural: Juliana Sfair, Mateus Barbassa, Carol Piscitelli e Diogo Branco.

Se você quer conhecer um bar que alia conforto e sofisticação, com um exemplar atendimento, o Botequim Ribeirão se torna uma ótima opção.
Nós, do Farofa Cultural, deixamos aqui nossa recomendação: Vale a pena conhecer o Botequim Ribeirão.


BOTEQUIM RIBEIRÃO
Avenida Senador César Vergueiro, 984 - Jardim São Luiz
Telefone: (16) 3234-0248




29 ago/14

HQ da semana e o "Desafio do balde"

postado por Arnaldo Junior

Nosso cartunista Arnaldo Junior destaca hoje na categoria "HQ" o desafio do balde, famoso nas redes sociais.
Valeu, Arnaldo!

28 ago/14

Com vocês, Rockamama !

postado por Diogo Branco

No dia 04/09, uma banda de rock ribeirão-pretana dará mais um grande passo em sua carreira: No Sesc, a banda ROCKAMAMA (Gustavo, Felipe, Jadiel e Victor) fará o lançamento de seu primeiro CD, já ansiosamente aguardado pelo público. A banda, que surgiu em 2011 com o intuito de fazer releituras atuais do rock clássico, garante neste novo trabalho carimbar, com maestria, uma exímia e bem trabalhada sonoridade.
Produzido pelo MGB estúdio, o CD ganhará ainda mais fãs no próximo sábado (30), data em que a banda fará um show de abertura para que os Detonautas se apresentem, durante o MGB Festival.
A entrevista do Rockamama cedida ao Farofa você confere abaixo:




FAROFA CULTURAL- Rockamama, com três anos de estrada, vocês certamente já experimentaram um pouco dos altos e baixos que todo músico está disposto a passar durante a carreira. Como vocês enxergam o cenário musical de Ribeirão Preto atualmente? Há espaço para os novos grupos, novas sonoridades e novos talentos?
Sim, acreditamos que há um espaço para novos grupos, apesar de não ser tão amplo quanto seria o ideal, e sempre haver dificuldades, com as quais se tem de lidar. Em Ribeirão Preto, vemos uma cena crescente de bandas que, apesar de ainda pouco numerosas, têm surgido com a proposta de ter uma autoria, ou seja, de escrever as próprias músicas, em lugar de fazer exclusivamente o "cover". É um crescimento bastante tímido, até o momento, ao meu ver, mas que existe. Podemos citar o ótimo trabalho de algumas bandas conterrâneas que tem feito isso: Pó de Café Quarteto (jazz), Chavala Talhada (samba-rock), Cruel Cavan (stoner rock), Sol de Papel (rock), João da Gaita (blues) e Canavieira, apenas para citar alguns poucos; muitas dessas, além de nós mesmos, constam no casting da Produtora Matahari, ligada ao MGB Studio, onde gravamos nosso CD. Essas bandas tem batalhado para encontrar ou criar o espaço para apresentar suas músicas, assim como nós. Muitas vezes a saída é aliar a novidade do som autoral ao que já é conhecido pelo público, ou seja, o cover de artistas já conhecidos, além de poder aproveitar os festivais e eventos culturais que valorizam a música da cidade, como estamos tendo este ano em eventos como a Copa Cultural, 24 Horas de Cultura, MGB Festival, o SESC, entre outros. 
 
FAROFA CULTURAL-Fazer cover de outros artistas é sempre uma tarefa delicada pois muitas vezes a admiração por um determinado artista acaba interferindo na maneira de se expressar ou de interpretar determinada canção. Há no grupo uma preocupação em carimbar uma personalidade própria de vocês? Como vocês acham que o público os enxerga?
Desde o início da banda, a composição de nossos próprios sons e a interpretação de músicas de artistas que admiramos têm caminhado juntas. Na Rockamama, procuramos sempre fazer uma "versão nossa" das músicas de outros artistas, pois gostamos de deixar a nossa personalidade nas músicas. Isso também acaba acontecendo naturalmente, nos ensaios, porque quando estamos tocando uma música cover, acabamos ficando meio "entediados" de tocá-las sempre igual, então às vezes o Jadiel (guitarrista) muda uma parte da guitarra, ou eu mudo a bateria, e assim por diante, até que acaba se tornando uma versão bem diferente da original. O interessante é que às vezes percebemos que o público gosta justamente do fato de termos tocado determinada música de um jeito diferente do que ele estava acostumado a ouvir, o que é muito realizador para nós.
 
FAROFA CULTURAL- Quais são as principais influências ou ídolos da banda? 
Como gostamos principalmente do blues-rock, em que esses dois estilos "parentes" são misturados, e essa mistura aconteceu a partir da década de 60 e 70, nossas principais influências são as bandas desse período. Podemos citar Cream, do Eric Clapton, Jimi Hendrix, Led Zeppelin, Beatles, Yardbirds, Stevie Ray Vaughan, Rolling Stones, que têm um trabalho pelo qual somos apaixonados! São artistas que valorizam muito o "feeling", ou seja, o sentimento que a música é capaz de transmitir, e isso é, ao nosso ver, o que a música tem de mais valioso, e que portanto buscamos transmitir em nossas próprias músicas.
 
FAROFA CULTURAL-O rock-blues "distorcido" sempre esteve presente na história da banda, ou passou a estar mais presente depois da boa aceitação do público?
Na verdade, ele esteve presente desde que decidimos começar a Rockamama, que na época ainda se chamava "Sociopatas". No primeiro repertório que montamos, já tinha "Sunshine Of Your Love" do Cream, e "Pride & Joy" do Stevie Ray Vaughan, pois queríamos em primeiro lugar tocar músicas que gostávamos muito, e que também não eram tocadas por outras bandas da cidade. 
 
FAROFA CULTURAL- Quais os planos para o futuro da banda? Qual o próximo passo?
O plano agora é divulgar o trabalho que produzimos, tentar fazer com que nossas músicas cheguem às pessoas que possam gostar delas tanto quanto a gente! Fazemos isso tocando nosso trabalho nos shows, dando entrevistas como essa, e também usando bastante a nossa página no Facebook (facebook.com/rockamama) onde contamos as novidades, postamos vídeos das músicas novas, etc. E claro, teremos o show de lançamento do CD no SESC de Ribeirão Preto dia 04/09, além da abertura para o show dos Detonautas no MGB Festival, dia 30/08, ambos sendo cuidadosamente preparados nos ensaios da banda! Estamos ansiosos e acreditamos que serão shows muito legais!

 

A categoria "Música" é produzida pelo farofeiro Diogo Branco.

27 ago/14

Gabriela Yamada no Farofa Cultural !

postado por Gabriela Yamada

É com muita alegria que escrevo, pela primeira vez, aqui no Farofa Cultural.
A escrita sempre foi a forma com que melhor consegui me expressar. Foi, e continua sendo, uma grande aliada no meu autoconhecimento, no meu crescimento, no meu fortalecimento.

E como é um texto de estreia, quero me apresentar. Meu nome é Gabriela, tenho 30 anos, sou repórter, casada e tenho dois filhos. Antes de ser jornalista, quis ser bailarina e até pensei em ser médica. Toquei piano, fiz ginástica olímpica, natação, participei de um grupo de dança de rua. Escrevi meu primeiro diário aos 9 anos, colecionei papel de carta, morei no Japão, já fui casada anteriormente e tenho um divórcio no currículo.

Há cerca de pouco mais de três anos, comecei a trilhar um caminho de autoconhecimento que, naquela época, não sabia onde iria me levar. E depois de passar por um momento de profundo aprendizado e sofrimento, daqueles em que é impossível se esconder de si (e tudo o que lhe resta é a fé de que aquilo era o melhor que poderia ter acontecido), despertei para mim mesma.

Foi como acordar de um sonho.

Junto de meu marido, busquei respostas em diversas linhas da espiritualidade. Incorporei mantras. Novos sons. Percebi a natureza. Senti o vento. Mergulhei, profundamente, dentro de mim mesma.

Então, percebi que as respostas estão sempre dentro, e nunca fora. E mais: não sou nada disso o que eu faço. Não sou apenas jornalista, mãe e esposa. O que eu sou está muito além. Impossível me definir apenas pelas atividades que exerço e por conceitos sociais.

Sempre seguindo a voz do meu coração, cheguei a pedir demissão após o nascimento da minha filha, em 2012, e morei em comunidade.Por 1 ano, vivi sem salário e com a certeza de que estava no caminho certo. Nada, absolutamente nada, nos faltou. Quando tudo o que você busca é o autoconhecimento, é preciso ter coragem para se expor à dor, mágoa, às experiências que você jamais imaginaria que teria de vivenciar.

Fui me revirando dentro do meu mundo e deixando para trás tudo aquilo o que eu acreditava que eu era. Este ano, a comunidade foi desfeita. Cada um que por ali passou, com certeza, alguma coisa boa levou. Voltei ao jornal, voltei ao mundo, aos meus amigos, mas desta vez muito mais próxima de mim.

Ainda estou neste caminho. A cada dia percebo um pouco mais sobre mim mesma. Hoje, posso dizer: não há nada mais importante do que se conhecer e saber ouvir a voz a sua própria voz. Esta é a minha jornada. A jornada da minha alma. Que também pode ser a sua, se você se permitir mergulhar dentro de si.

Vale a pena e eu garanto: você é muito maior do que pensa que é.


Gabriela Yamada é uma conceituada jornalista de Ribeirão Preto. 
Dona de um laureado currículo, já atuou em diversas áreas dentro do Jornalismo, sua paixão e formação acadêmica.
A partir de hoje, Gabriela dará ao Farofa o privilégio de sua participação com aquilo que mais lhe proporciona prazer: Escrever.
Seja bem-vinda, Gabriela Yamada!

26 ago/14

Participação no Farofa: Juliana Bolzan

postado por Juliana Sfair

Em vão...
Procurar, embaixo da cama,
Atrás do sofá,
Nas escadas,
No horizonte,
Nos sorrisos amarelos, nos abraços profundos, nos beijos cansados...
Procurar em meio a misturas desoladas de segredos encantados com o tempo, empoeirados em uma resposta aqui, outra por lá. Vale procurar, mas nem sempre o caminho encontrado é inteiramente verdadeiro. Doar-se, vivenciar, procurar. Sinceridade é uma palavra esquecida com o tempo cheio de poeira e doses de "eu acredito".
Calafrios no corpo quente, com mãos geladas. Entregar-se ao infinito desejado, cheio de montanhas para subir, e esquinas escuras para desvendar. Pode ser que lá, em um canto, cheio de poeiras, com doses de sorrisos, uma resposta venha. E o que era verdadeiro, transforma, desola...
Um vento que leva, pensamentos insanos para bem longe. E outro que traz de volta, curiosidades a cerca de um universo esquecido, sem resposta e sem percepção. Até onde? Com o que?
Que palavras usar, em momentos... sem elas. Durante um silêncio longo, de um período quase infinito, algumas perdidas, sem sentido, sem vontade... sem explicação... E foi-se assim, algo que já estava perdido, na tentativa de encontrar...


[Juliana Bolzan - Jornalista]

25 ago/14

Crítica do filme "A Caça" por Mateus Barbassa

postado por Mateus Barbassa


Pertubador. É o mínimo que se pode dizer do filme "Jagten" (A Caça") do diretor dinamarquês Thomas Vinterberg. Lucas, personagem central do drama, é um homem pacato, trabalha numa creche, é adorado pelas crianças, sobretudo por Klara. Ela é uma linda garota, que vive vendo seus pais brigarem e acaba buscando em Lucas, um possível referencial paterno. Théo, pai de Klara é o melhor amigo de Lucas. Tudo vai bem, até que Klara ao perceber que Lucas não retribui seu amor da maneira que ela acha que ele deveria, inventa para a diretora da crechê que ele mostrou seu pênis para ela. Pronto. Alerta vermelho. A diretora fica desesperada. Chama um "profissional" responsável por tirar maiores informações da menina e conclui que o caso é de polícia. A cidade inteira fica sabendo e Lucas começa a ser investigado.

A genialidade do filme reside no fato do diretor não fazer um suspense banal com a história: Lucas cometeu ou não o tal assédio? Em nenhum momento, o diretor cai nesse clichê. No entanto, também não vitimiza Lucas e nem o transforma num mártir. Não há vitimas. Nem algozes. Todos reproduzem comportamentos. Estão acostumados. Não questionam. Deixam-se levar por um argumento de uma criança (que depois repetidamente diz que inventou a história) e julgam moralmente Lucas. O título do filme é perfeito. O caçador (Lucas e todos os outros homens do vilarejo caçam servos) vira a caça.

A sociedade cria os seus próprios monstros. E num processo todo psicanalítico faz sua transferência de culpa. É necessário ter um culpado. Um bode expiatório. E Lucas é o escolhido da vez. Resquícios de um povo cristão. Que adora um homem pregado numa cruz de madeira toda ensangüentado.

"Todos pecaram e destituídos estão da Glória de Deus".


As crianças não mentem. Repetem excessivamente os pais, a diretora, todos os moradores. Como para justificar a dúvida latente dentro deles: Como Lucas foi fazer uma coisa dessas? Logo ele? Mas não há espaço para dúvida. Se uma criança disse está dito. Ainda mais uma criança tão angelical quanto Klara.

“Mas Jesus chamou a si as crianças e disse: ‘Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino de Deus pertence aos que são semelhantes a elas. Digo a verdade: Quem não receber o Reino de Deus como uma criança, nunca entrará nele".

Em quem aquela comunidade vai acreditar? Numa criança ou num homem adulto que nem ao menos se defende? Não resta dúvida. Lucas é culpado. E é preciso que ele pague por sua culpa. O martírio começa. E dia após dia, ele é constantemente humilhado. Poucos acreditam em sua inocência. E ele se vê absolutamente sem saída. Ele é o alvo. E todos estão com suas armas empunhadas em sua direção. Não há saída.

Vinterberg constrói um filme duro, austero, gélido. E coloca os espectadores como cúmplices da mentira de Klara. Nós também crucificaríamos Lucas. Nós também exigiríamos sua cabeça. Numa sociedade toda ela dominada pelo medo. Onde o outro é constantemente visto como uma ameaça, Vinterberg toca o dedo na ferida. “Jugten” é um filme nevrálgico. Tenso. E absolutamente provocador. O diretor expõe em cena todos os mecanismos de dominação que a população está exposta. Não sobra pedra sobre pedra. Tudo que era felicidade desmorona. Não sobra nada. Nenhuma certeza. Nada. Mas, é preciso se agarrar em alguma coisa. Em qual mentira acreditar: Lucas é realmente um abusador ou aquela garotinha linda está mentindo?


Não é preciso nem ir muito longe. Todos se lembram do fatídico caso da Escola Base, onde alguns funcionários foram acusados de pedofilia. A mídia caiu matando. E a sociedade julgou antes da Justiça. Logo depois, se comprovou que a história era toda falaciosa. Como voltar atrás? Como desmentir o que antes era fato comprovado? Mesmo depois do desmentido é possível viver normalmente? É justamente aí que Vinterbeg insere seu filme. O final do filme é a resposta perfeita.

PS: As atuações de todo o elenco estão sensacionais. Destaco o trabalho minucioso do ator Mads Mikkelsen e da pequena Annika Wedderkopp, que demonstra uma maturidade absurda em cena. Eu não sei exatamente quais foram os métodos utilizados pela direção para alcançar os resultados mostrados no filme, independente disso, a atuação da garota é simplesmente monstruosa (em todos os sentidos).




Mateus Barbassa é ator, diretor teatral e crítico de cinema.

21 ago/14

Gal e Gil: Show inédito recuperado em CD

postado por Diogo Branco

O ano era 1971. A ditadura acontecia no Brasil, e como é sabido, concomitantemente acontecia o exílio de grandes artistas nacionais.
Gilberto Gil e Caetano Veloso viveram em Londres entre 1969 e 1972. Eles encontraram em Londres uma renovação do repertório local, com os Beatles, Stones, entre outras revoluções que aconteciam ali também naquele período.

Lá em Londres, vez em quando Gal se reunia com os exilados, e nesses encontros muita música acontecia.  
No dia 26 de Novembro de 1971, Gil e Gal se apresentaram no Student Centre da City University London. Parte da plateia era composta por pessoas que também vivenciavam o exílio. Esse momento foi registrado em uma fita, em estéreo, e agora, mais de quatro décadas depois, ele vem à tona no CD Duplo "Live in London '71 , que será lançado em Setembro. 

Entre as faixas do CD, muita música do repertório da cantora baiana, que havia lançado, um mês antes de visitar seus amigos em Londres, seu CD "Gal Costa a Todo Vapor" de estrondoso sucesso no Brasil. Em um dos momentos do show, ouvimos Gilberto Gil dizer "Vocês estão vendo esse clima de informalidade aqui, talvez.... É porque a gente tá...informal." O clima de amizade predominava o ambiente, e é sentido pelos ouvintes do CD.
Era inverno, era um dia frio, mas a música os aquecia. E o sol do verão seguinte, no qual os músicos possivelmente retornariam ao Brasil, já aquecia seus corações.

Alguns trechos desse show inédito você pode conferir abaixo:

https://soundcloud.com/estad-o-cultura/vapor-barato


https://soundcloud.com/estad-o-cultura/falsa-baiana



https://soundcloud.com/estad-o-cultura/aquele-abraco


A fita com o show de Gilberto Gil e Gal Costa ficou mais de duas décadas  em um acervo em Londres. Depois, foi para as mãos de um colecionador. O áudio passou por um longo processo de masterização, e chega às lojas agora em Setembro, com uma edição prevista também em Vinil.



Diogo Branco é um farofeiro apaixonado por música.


20 ago/14

Rolinhos de abobrinha recheados com tomate seco

postado por Andrea Tchu



  • INGREDIENTES
  • 1 kg de abobrinha tipo italiana (retas e firmes).
  • 1 litro de água fervente
  • 1 xícara de vinagre
  • tomates secos
  • tempero feito com azeite, aceto balsâmico, sal, e cebola, alho e salsa desidratados (eu uso o tempero da Kitano).

 PREPARO

      Lave as abobrinhas, corte as pontas. Fatie as abobrinhas horizontalmente. Eu usei esse ralador da foto abaixo.




Coloque as fatias num recipiente fundo e jogue por cima a água fervente com o vinagre. Depois de 5 minutos, escorrer bem e passar por água fria para cessar o cozimento e eliminar o excesso de vinagre. 
Posicione um tomate seco na ponta de cada fatia e enrole. Coloque os rolinhos em uma travessa (armazene num pote que dê para fechar hermeticamente, caso queira servir depois).
Em uma tigelinha, coloque um pouquinho de azeite, aceto balsâmico, sal, e cebola, alho e salsa desidratados (sem exagero). Distribua por cima dos rolinhos e coloque na geladeira por uns 30 min.


Andréa Bouchardet (ou "Tchu", como é chamada pelos amigos) é apaixonada pelas artes culinárias.
Cursou Gastronomia, e resolveu rechear seu cardápio de receitar fáceis e nutritivas.
Acesse o blog http://www.paladarfit.blogspot.com.br e conheça outras deliciosas receitas recomendadas por ela.

 
 

19 ago/14

Minha Alma Livre

postado por Juliana Sfair


 Eu não sei em qual lugar está minha alma depois de tanto tempo sem voltar para a casa.
A casa do silêncio, da calda que acaricia a massa do bolo, os pássaros que deixaram suas gaiolas e foram corajosos enfrentar o vento.
É que eu vejo tanta hipocrisia e felicidade mentirosa, que muitas vezes penso estar no planeta errado. E eu também sou toda errada para quem acha estar certo.
Na minha casa do silêncio também existe uma regra, um ditado popular: “bateu, levou”.
Tão necessário quanto respirar, é responder. E não guardar palavras. Ah, mas eu sei a hora de ser diplomática; eu sei também o meu limite.
Autoconhecimento é quase uma oração, é um pilar. Um casulo bendito.
Minha alma vaga livre pelo mundo, meu coração é lembrança.
Tarde de paz.

[Juliana Sfair]


18 ago/14

Os Famosos e os duendes da morte - Crítica de filme

postado por Mateus Barbassa

“Os Famosos e os duendes da morte” é um dos melhores filmes já produzidos no Brasil.


 
É incrível ver o talento do diretor Esmir Filho na condução de um trabalho tão sensível, com uma poética toda particular, e, no entanto ser uma poesia errática, dura e fria.
Fazendo uso do tempo como personagem principal de seu roteiro e tendo a cidade onde o protagonista mora como metáfora do estado de espírito do tal garoto, Esmir constrói um filme de uma beleza singular, bem próximo ao que o cineasta Hector Babenco conseguiu em “Coração Iluminado” e Gus Van Sant em “Paranoid Park”. Também vejo um paralelo com o belíssimo documentário "A Ponte" do diretor Eric Steel.


 
Por mais referências que o filme tenha, não se enganem, pois o que vemos na tela é um filme de um diretor iniciante, mas, absolutamente genial e particular, é um filme de Esmir Filho.
 
O filme mostra a vida de um adolescente numa cidade pequena no Rio Grande do Sul, o personagem principal é um menino viciado em internet e em Bob Dylan. O garoto acha a cidade pequena demais, chega a chamá-la de “cu de mundo” e os moradores de “colonos”.
 
Na verdade, o menino tem um forte sentimento de não pertencimento àquela realidade e desenvolve um meio de suportar tudo aqui, através de um alheamento a tudo aquilo que não lhe diz respeito. No livro “A Hora da Estrela” de Clarice Lispector, a autora afirma que o lugar onde a protagonista Macabéa mora “é uma cidade toda feita contra ela”.
Algo parecido ocorre com o protagonista do filme “Os famosos e os duendes da morte”.
 
O diretor apenas mostra o tal menino, sem se preocupar em fazer com que nós (espectadores) gostemos ou não dele. Muito pelo contrário, ao fazer uso de uma câmera que na maioria das vezes filma o ator de costas “vagando” pela cidade, o registro realista do filme dilata-se e o que vemos é aquilo que temos suporte ou preparo para ver.
 

É um filme de sensações, cabe ao espectador dar sentido à obra, é ele quem preencherá as lacunas deixadas pelo diretor, pelo filme e pelos atores. E isso é um elogio, não é preguiça ou falta de talento do diretor, e sim, estilo, estilo próprio de filmar e pensar o mundo.

 
Em muitas cenas, eu me peguei rindo e chorando ao mesmo tempo, tamanho o grau de aturdimento que o filme me causou, é um filme incômodo, lento, pesado, mas extremamente contemporâneo tanto na temática quanto na maneira de retratar o mundo.
 
O maior talento de Esmir Filho é mostrar o tempo como o tempo, é deixar as coisas acontecerem sem se preocupar com nada a não ser a cena, é um risco que ele corre, mas um risco absolutamente necessário e, é esse tempo como tempo que faz com que a obra ganhe uma dimensão outra, que faz com que o filme transcenda.
 
Cada cena por mais lenta que seja possui o exato tempo da comunicação necessária, algo que o velho filósofo Aristóteles já dizia em seu livro “Poética”.
 
O menino não possui um elo com o mundo real, ele parece mais vagar por aqueles lugares gélidos do filme, do que propriamente viver, sua vida é mais interna, sua vida é a sonhada ou a cibernética.
 
Em muitas cenas vemos o menino conversando com uma menina no MSN e o diretor não tem medo de usar a linguagem usada pelos jovens nesse tipo de mídia, ao não evitar o maneirismo da linguagem da net, o diretor poderia reduzir seu filme a uma mera reprodução de um comportamento juvenil, mas não, ela usa a linguagem como aproximação das personagens e não como barateamento da obra ou das idéias do filme.
 
Além do garoto, temos outro personagem principal no filme, uma ponte onde alguns moradores que não suportam o tédio de existir se jogam lá do alto e cometem suicídio. Foi o escritor Albert Camus quem formulou a questão que sabendo que a existência é essa aqui mesmo (a realidade de cada um) a questão mais urgente de ser respondida era se consciente disso deveríamos cometer suicídio ou não? Essa parece ser a questão primeira que o garoto sem nome que vaga pela cidade quer responder. Ao ver um corpo jogado lá embaixo, no rio, o garoto pergunta a um amigo: “Não parece que tem alguma coisa que puxa a gente pra lá pra baixo?”
 
O tempo, a cidade, a ponte, tudo parece levar ao suicídio, essa é a grande reflexão do filme, e coloque ainda nesses ingredientes, a adolescência, fase complicada entre a infância e o mundo adulto, fase em que tudo é elevado à nona potência.
 
E então o menino comete o suicídio ou não?
 
Essa questão não é tão importante assim para o filme.
As cena que antecedem o final são de uma grandiosidade assustadora, acho que nunca mais vou esquecer a cena em que o menino e a mãe dançam na festa da cidade.
 
No começo há um abraço, um abraço forte, dolorido, o menino está chorando, a mãe também, a música alegre da festa está tocando, do abraço aos poucos mãe e filho começam a dançar, uma dança desajeitada, uma dança alegre/triste, a dança da vida depois ele vai embora, a mãe permanece chorando, dançando, batendo palmas sem saber por que faz tudo isso. É uma cena sufocante, sublime e extremamente bem orquestrada pela direção. 
Outras cenas possuem a mesma “pegada”, como a da mãe e do menino bebendo vinho e conversando e rindo, único momento do filme em que os dois estão “felizes”, é uma cena engraçada, os dois estão bêbados, mas é uma cena dolorosa, triste, foi nessa cena que eu chorava e ria ao mesmo tempo. E também a cena em que o menino e o amigo fumam um baseado e conversam sobre a vida. Soa sintomático que os maiores e melhores diálogos do filme sejam quando o menino está alterado ou pela maconha ou pelo vinho.
Destaque também para as cenas gravadas pela web cam da menina que o menino é apaixonado e para todas as cenas de delírios, que apesar de barrocas e exageradas, dão o tom certo dos sonhos e delírios. E também para a comovente cena em que o garoto visita os avós.
 
A trilha é um personagem também, o menino é fã da música “Mrs. Tambourine Man” do Bob Dylan (para quem conhece a letra, o filme é quase um tradução literal dela), além disso, o cantor Nelo Johann compôs uma comovente trilha especialmente para o filme .
 
Todos os atores, sem exceção estão excelentes, o protagonista do filme Henrique Larré é um achado, ele não possui nada das afetações tão freqüentes na interpretação de adolescentes, é um ator minimalista, é quase uma Isabelle Huppert versão menino.
 
A mãe é ótima, tem todas as nuances necessárias para o papel, já quando a atriz que interpreta a avó entra em cena, pensei “hum, é a única atriz ruim do elenco”,  mas ai fui me familiarizando com ela, seu sotaque estranho e adorei sua participação, assim como o avô, os amigos, a menina e o homem misterioso que perpassa quase o filme todo.
 
Ele é o enigma do filme, sabemos pouco sobre ele, quase nada, mas ao longo do enredo e principalmente no final, ele, junto com o menino, é o responsável pelos momentos mais interessantes da trama. (Não vou contar pra não estragar a surpresa).
 
Enfim, é um daqueles filmes que te faz sair do cinema com vontade de ver mais e mais, que te faz pensar, chorar, rir, refletir sobre a condição humana, entre outras coisas, essa é a função primordial do cinema e de toda a arte.


 Mateus Barbassa é ator, diretor teatral e crítico de cinema.
 

14 ago/14

Silva: "Vista pro mar"

postado por Diogo Branco

Desde quando ganhei de presente o CD "Claridão" do brilhante e até então pouco conhecido SILVA , me encantei pela sua sonoridade.
Foi em 2012, e me lembro de ter lido inúmeras críticas em jornais e blogs sobre este músico que era a revelação do momento. Muita gente dizia que, se fosse pra ser colocado numa árvore genealógica da música nacional, SILVA seria neto de Samuel Rosa ou Herbert Vianna, com algum parentesco distante do também consagrado Guilherme Arantes. Nas faixas do disco, havia especialmente uma que conseguia o impossível: Se destacar dentre tantas exímias composições. Parecia ter surgido já como um sucesso: "A Visita", mais tarde bastante utilizada pela publicidade, ganhou fãs com sua melodia alegre e inspiradora.


O novo CD "Vista pro mar", apresenta uma sonoridade indie e, mais uma vez, contemporânea e de personalidade própria. Segundo o músico capixaba, este álbum contém músicas "ensolaradas", e que naturalmente emulam sensações litorâneas. É um CD doce, que traz mensagens de esperança e percepções sobre a vida, sem a nostalgia contida no primeiro álbum.

"Vista pro Mar" foi considerado por diversos blogs como o melhor CD nacional do cenário alternativo lançado em 2014, e contém participações de laureados músicos como Fernanda Takai. Vale a pena conferir. Para mim, continua com fortes influências de Guilherme Arantes, que podem ser notadas nos minutos iniciais do disco. Disponível na íntegra no Youtube (através do canal oficial do cantor), "Vista pro Mar" também pode ser conferido abaixo:


Diogo Branco
Diogo Branco é um farofeiro apaixonado por música.

13 ago/14

Espaguete de abobrinha ao molho bolonhesa

postado por Andrea Tchu


INGREDIENTES (1 PORÇÃO)
 
1 dente de alho ralado 
1 abobrinha bem lavada e sem as duas extremidades 
1/2 cebola pequena picada 
1/2 lata de tomate pelado 
100 gramas de carne moída magra 
Azeite 
Sal e pimenta a gosto 
queijo parmesão (ou minas) ralado




* para fazer o "espaguete" eu usei um mandolim como esse aqui da foto abaixo. Usei a parte dos "furinhos" e fui ralando a abobrinha até chegar na parte da semente, que não deve ser usada.


PREPARO
 
Eu vou sugerir duas maneiras de preparo. A primeira, para quem prefere a abobrinha mais crocante e a segunda, para os fãs da abobrinha mais macia.  
 
Doure o alho em um fio de azeite. Acrescente a abobrinha, coloque sal e pimenta a gosto e refogue por 1 minutinho. 
Não curte alho?
Troque o alho por cebola bem picadinha e acrescente ervas de sua preferência.
 
 
Para a abobrinha ficar mais macia, você deve ferver um litro de água com um pouco de sal e depois deixar a abobrinha cozinhar por uns 3 minutos. Rapidinho para não deixar cozinhar demais. Depois, basta passar a abobrinha por água fria para cessar o cozimento e escorrer bem. 
 
O molho bolonhesa
 
Existem diversas maneiras de preparar esse molho. Eu curto fazer com o tomate pelado.
Numa panela coloque o azeite e a carne moída, uma pitada de sal e leve ao fogo médio até dourar a carne (aprox. 15 minutos). Adicione a cebola picada e refogue bem (aprox. 3 minutos). Acrescente o tomate pelado (com o suco), um pouco de sal (se achar necessário), pimenta do reino a gosto e misture. Mexa bem e espere o molho engrossar um pouquinho. Se você gosta de ervas frescas, o manjericão pode dar um toque especial no seu molho. 
 
Agora é só montar o prato e acrescentar o queijo ralado.  :)
 

12 ago/14

Laboratório

postado por Juliana Sfair

Play ! Começava o filme cujo o ensinamento seria para todos os dias da minha vida...

O ano era 2009 e fazia parte do laboratório para uma peça de Nelson Rodrigues e também de outra peça que apresentávamos toda sexta-feira, à meia noite, chamada “ Sessão Maldita “.
Grito, silêncio, dor, tédio,amor, dinheiro, trabalho, cansaço e silêncio. É quando a voz cala que a vida dói. É quando o pensamento viaja no futuro, que a angustia domina o peito, e acelera a mente.
Quando todos esses sentimentos começam a consumir; eu lembro do filme “ Minha vida sem mim “ e todo meu silêncio fica menor perto do silêncio da personagem. Minha dor pequena conecta-se com a dela, então eu vejo um mundo mais denso e calmo.
Calmo no sentido de que não vale a pena o desespero, a pressa, o grito. E quando você aprende que é forte, você encontra a paz.
Encontra todo o alívio de se aceitar, é na pausa que você encontra a solução.
Aprende que o mundo não quer saber do seu problema e que cada dia é uma dádiva ( para muitas pessoas os dias estão contados ).
Acredita que deixar água da chuva cair em seu corpo, é um reequilíbrio energético.
Todos os dias, em cada entardecer eu lembro do filme. E olhar quieta para o céu, é minha cura. 


 [ Juliana Sfair ] 



11 ago/14

The Rover - Crítica de Filme

postado por Mateus Barbassa

"Nem tudo precisa fazer sentido”.
Essa frase é dita por um dos personagens do ótimo filme “The Rover- A Caçada” e serve como possível norte para quem se aventurar a assistí-lo. Retratando um mundo pós-apocalíptico, o diretor David Michôd não perde tempo com histórias inventadas para convencer o espectador. Não. A situação é dada e entramos ou não na história proposta.

O filme se passa numa Austrália totalmente devastada, onde o único dinheiro aceito é o americano, e somente uma única mulher é mostrada em cena (uma senhora conhecida como Vovó). A violência corre solta e é cada um por si e Deus contra todos. O código de ética é ou você mata ou você morre. A lei e ou a justiça instaurada inexistem e o único preço a se pagar é lembrar-se eternamente de cada vida tirada. É nesse cenário caótico que somos apresentados a Eric, homem rústico e silencioso que para seu carro no meio da estrada e fica alguns minutos numa reflexão aparentemente dolorida. Algo de muito grave aconteceu. Mas o quê? Não sabemos. Ele desce do carro, entra numa espécie de bar. Mais alguns minutos se passam. Corta. Dentro de um outro carro, três homens brigam. Um deles parece estar baleado. Eles discutem e um acidente acontece perto do bar onde Eric está. Os homens tentam fazer o carro pegar. Não conseguem. Eles arrombam o carro de Eric e fogem. Ele consegue fazer o carro dos bandidos funcionar e persegue-os. No caminho, ele encontra Rey, irmão de um dos assaltantes, que foi abandonado no meio do caminho. Ele está muito ferido e caminha errático pelo deserto. Eric interroga-o e descobre que ele é irmão de um dos caras que roubaram seu carro. Aqui o filme começa. A temporada de caça inicia-se de modo feroz.

O filme é cru e cruel. Não há firulas. Nem cenas edificantes. É um filme galgado basicamente nesses dois personagens: Eric e Rey. No modo como a relação entre eles se estabelece e se modifica. É complicado escrever qualquer coisa sob o risco de revelar demais a trama, mas o trabalho dos atores Guy Pearce e Robert Pattinson é a alma do filme. Ambos são tipos sofridos, silenciosos, problemáticos. E tudo isso está estampado na cara deles. Robert Pattinson é um ator conhecido do grande público (protagonizou a série “Crepúsculo”) e não posso dizer que ele tenha me surpreendido porque nunca assisti nenhum filme estrelado por ele. Sei que ele é muito criticado, mas seu desempenho no filme é assombroso. Rey é um tipo ingênuo que na convivência com Eric aprende como sobreviver naquele mundo todo feito contra ele. Eric também aprende com Rey. Aprende que nunca se deve subestimar um homem, nem mesmo um tipo meio abobalhado como Rey. Aos poucos, o filme ganha contornos mais humanos. Mas será que existe alguma espécie de salvação para esses dois?

O mais interessante do filme é que nessa caçada, os personagens evoluem bastante, mas o cenário caótico exige que eles encarem todos os outros e até mesmo um ao outro como inimigo. O filósofo francês Jean Baudrillard afirma que “onde a troca é impossível, há o terror” e isso está impregnado o tempo todo naqueles personagens, naquelas paisagens, em tudo. Falando em paisagem e Baudrillard outra frase sua me vem à cabeça: “Só o desumano é fotogênico”. Sim. A fotografia do filme é deslumbrantemente linda, apesar de retratar um lugar árido e inóspito. A trilha também cumpre seu papel de incomodar o espectador. É um filme tenso. É impossível assisti-lo impassível. Sobretudo, porque as respostas que tanto necessitamos para o nosso apaziguamento moral não existem aqui.


”The Rover – A Caçada”
Cinépolis Santa Úrsula  
Sala » (2D) (Leg) 18h / 20h40 UCI 
Sala 6 » (2D) (Leg) 16h45 / 19h / 21h15


Mateus Barbassa é ator, diretor teatral e crítico de cinema