29 jan/15

Nhoque de batata

postado por Carol Quartim

A receita dessa semana é nhoque. 
 
Eu sempre faço nhoque, principalmente de mandioquinha, mas meu pai gosta muito de nhoque de batata e sempre pede que eu faça. Eu, como não gosto de nhoque com gosto de farinha, fazia normalmente uma receita com muito pouca farinha, o que deixava minha massa mais mole, mais difícil de trabalhar e correndo o risco de depois de cozida ficar muito mole, ficando muitas vezes com um aspecto não perfeito, apesar de um sabor incrível. 
Resolvi fazer algumas mudanças na receita, pra ter um nhoque mais consistente e mais fácil de trabalhar, sem que eu perdesse no sabor.Testei e aí esta a receita pra vocês. Ficou realmente muito bom o sabor, bonito quando finalizado e muito fácil de trabalhar, sem farinha pra todo lado e a aquela confusão na cozinha.
 
Ingredientes
 
1 kg de batatas
200gr de farinha de trigo
150gr  de parmesão ralado
1 ovo
1 colher de chá de açafrão em pó
Sal
 
Preparo
 
Descasque as batatas e coloque pra cozinhar na água fria, até que ela fique macia, sem se desfazer.
Amasse a batata, e ai junte, o ovo, a farinha, o açafrão, o parmesão e o sal.





Misture tudo muito bem, até formar uma massa que não grude nas mãos.
Feito isso, é só enrolar e cortar. 





Pra cozinhar o nhoque, ferva água com sal, coloque o noque e, quando ele subir na água, está pronto.



Aí é só servir com um molho de sua preferência. Este aqui eu fiz com um molho de tomates pelados.





Carol é mãe da Maria, cozinheira, corinthiana e vencedora do "Cozinheiros em Ação" do canal GNT.
IG: @carolquartim

 

16 jan/15

Sobre amizade, amor e ódio

postado por Gabriela Yamada

Abri a minha caixa de e-mails e lá estava uma nova mensagem, com o assunto "Oi". Estremeci. Havia tempos que eu aguardava por aquilo. Era o e-mail de uma amiga, Aline, a quem um dia eu havia magoado num momento de profundo desequilíbrio e me pediu para que eu sumisse da vida dela.
 
"Há muito tempo penso em procurar você. Queria muito conversar e tentar passar por cima de tudo o que ficou no passado", ela começou. 
 
Era abril de 2011 e eu estava vivendo um dos meus piores pesadelos, com o meu nome envolvido num escândalo da internet por um erro que cometi em minha vida pessoal. Mas este erro tomou uma proporção tão grande que afetou a minha vida profissional -- e duas semanas após eu ter sido admitida num emprego que eu almejava havia tempos, fui demitida. 
 
A demissão veio a cinco dias do meu aniversário, duas semanas depois do meu marido sair do emprego para se dedicar ao caminho espiritual e poucos meses depois de termos assumido um aluguel de um apartamento. E neste mesmo dia, em que eu estava em frangalhos, chegou o e-mail dela.
 
"Você sempre foi uma pessoa do meu coração. E nunca me senti bem por tudo o que aconteceu ou por nossa distância. Isso é algo que me faz mal, me deixa triste. Quando vejo alguma foto sua com alguém, sinto saudade. Porque te admiro demais e penso que é uma guerreira, batalhadora".
 
Eu ria e chorava ao mesmo tempo. Era um choro de saudade, de amor, de felicidade por ter recebido o seu perdão. Era o choro que eu havia engolido, que estava preso aqui dentro. Ali, naquele momento, o amor explodiu.
 
Deus sempre me surpreende. No dia em que perdi um emprego, ganhei a minha amiga de volta -- e isso salvou o meu dia. "As situações difíceis existem para nos fortalecer, nos tornar pessoas melhores e mais sábias (...). O que parece contra a gente Gaby, no fundo, só vem para nos proteger", ela me disse, no e-mail.
 
Três anos depois, me vi numa situação semelhante a dela. Por ironia ou força do destino, o aprendizado veio a mim: desta vez, era eu quem havia sido magoada por uma amiga. Foram meses engolindo, seca, aquilo o que me incomodava. O misto de amor e ódio me consumiu, até que não consegui mais guardar: eu precisava falar com ela. Desabafar. Não jogar em cima dela a minha mágoa, até porque aprendi que o outro só tem poder sobre nós quando lhe damos isso. Eu só precisava tornar claro o que estava escuro, dizer o quanto a amo, como quero lhe dar um abraço e deixar tudo para trás.
 
Então, no final de semana, lhe enviei uma mensagem. Foi um desabafo de ambas as partes. Ali, mais uma vez, o amor explodiu dentro de mim. O que era escuro ficou claro, o que era ódio foi curado e me fortaleci, enquanto ser e mulher, no amor que tenho por mim. Só assim consegui me reconhecer, para então reconhecer tantas outras pessoas que estão a minha volta e perceber que a mágoa guardada cria um monstro que nos cega, nos ensurdece e nos mata, pouco a pouco.
 
E ficou a lição da Aline, que terminou o e-mail de 2011 dizendo que "tudo na vida um dia passa, menos o amor, o respeito e a amizade que construímos ao longo de nossos dias".


Gabriela Yamada é jornalista, escritora e, às quartas, farofeira também.