26 fev/15

Pudim de Mandioca com Doce de Leite

postado por Carol Quartim

Pudim de Mandioca (Aipim, Macaxeira) com Doce de Leite. 
 
Deliciosamente cremoso. Doce na medida certa. 
 
Vamos à receita. Bata 3 ovos, 3 xícaras de açúcar e 2 colheres de manteiga no liquidificador. Quando formar um creme homogêneo comece a colocar mandioca picada. 600grs. Quando começar a ficar difícil de bater acrescente uma xícara de leite. Bata mais um pouco. Pré-aqueça o forno a 180 graus, e asse por aproximadamente 40 minutos. 
 
Voilà.
Ps: um belo naco de doce de leite em cima completa muito bem a obra de arte


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Carol é mãe da Maria, cozinheira, corinthiana e vencedora do "Cozinheiros em Ação" do canal GNT.
IG: @carolquartim

18 fev/15

Você é livre?

postado por Gabriela Yamada


Entre os debates proporcionados pelo “Cinquenta Tons de Cinza”, o que mais gosto de falar é sobre liberdade e escolha. Ana é, aparentemente, uma mocinha inocente que mal sabe sobre o sexo, e Grey é o dominador, aquele que fez com que centenas de pessoas se indignassem nos cinemas e se sentissem humilhadas junto de Ana, principalmente quando ela é amarrada e chicoteada. Ou quando ela chora, copiosamente, porque quer viver um romance idealizado.
 
E o que liberdade e escolha têm a ver com isso? Bom, tudo. O que vou escrever aqui pode mexer um pouco com você, então, sugiro que só prossiga a leitura se estiver aberto a mergulhar dentro de si a cada linha deste texto e estar disposto e se desconstruir.
 
Liberdade é o que as almas mais anseiam. Digo alma porque já aprendemos que não somos o nosso corpo – o que difere uns dos outros é a capacidade de perceber isso. Uma vez que você não apenas percebe, como também vivencia ser algo mais que seu corpo, diversas portas se abrem. Ao mesmo tempo, seus pés se fincam mais no chão. E se tiver uma dose de coragem, uma das portas a serem abertas é justamente a que costumamos negar: a da humanidade.
 
Conheço diversos espiritualistas que gostam muito de dizer coisas como “eu sou”, “tudo já é”, “isso não sou eu, é o meu ego”. É uma fase interessante quando se trilha o caminho do autoconhecimento, mas é só uma fase. O que vem a seguir é o que separa os meninos dos homens: o reconhecimento de tudo o que você é, todos os pensamentos que você tem, todos os seus desejos. Mas poucos entram nesta fase.
 
Poucos porque doi perceber que não somos nem metade do poço de bondade que gostamos de parecer aos outros. Porque preferimos continuar usando as nossas vestes de Santos e negarmos que sentimos desejo sexual e queremos ter prazer, seja de qual forma for. Porque é fácil dizer que sentimos “gratidão ao universo” e que fazemos parte de uma “família universal” quando, na realidade, estamos preocupados em parecer pessoas gratas e mantemos por perto amizades por simples interesse.
 
O ponto de tudo isso é: só podemos abrir a porta da humanidade quando estamos dispostos a assumir quem realmente somos e tudo o que sentimos. Somente assim é possível sermos livres para escolhermos qual caminho seguir. É preciso retirar o véu do pecado, do certo e do errado, para que cada escolha seja uma escolha consciente.
 
Você até pode me dizer que é feliz em suas escolhas. Mas eu lhe digo: se até hoje as suas escolhas foram pautadas pelo medo, pela repressão, por ideias preconcebidas ou literaturas espiritualistas, então eu sinto lhe dizer que você é um prisioneiro e que não sabe o que significa felicidade. E não há outro responsável pela sua prisão a não ser você mesmo.
 
Ana e Grey são prisioneiros de si. Ambos assumem papéis de submissos e dominadores. Mas a partir do momento em que se entregam ao que mais temem, começam a se perceber, individualmente. É daí que nasce a força que tanto ansiamos.
 
Um passo para a consciência, outro para a liberdade.




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Gabriela Yamada é jornalista, escritora e farofeira também



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09 fev/15

Crítica do filme "Livre" por Mateus Barbassa

postado por Mateus Barbassa


“Toda emoção negativa que não é plenamente enfrentada nem considerada pelo que ela é no momento em que se manifesta não se dissipa por inteiro. Deixa atrás de si um traço remanescente de dor.”

Com esse trecho do escritor Eckhart Tolle começo meu texto sobre o filme “LIVRE” do diretor Jean-Marc Vallée e estrelado pela atriz Reese Witherspoon.


Sim. O filme é sobre dores, perdas, mas também sobre travessia, ritos de passagens e superação. Tendo com base a autobiografia de Cheryl Strayed, o filme apresenta de maneira fragmentada sua protagonista. O filme não começa pelo início, nem pelo fim, mas pelo meio. Uma decisão que se mostra bastante acertada. Vamos conhecendo-a de maneira horizontal. Sem pressa. Quando o filme começa, ela já está no meio de sua caminhada pela costa oeste dos EUA. Mas quem é ela? Por que ela está fazendo essa caminhada? Precisaria de algum motivo especial?

Através de flashbacks nada óbvios e na maioria das vezes, sinestésicos (por vezes um som, um trecho de uma música cantada pela mãe, um cheiro, um animal) vamos entendendo algumas coisas. Cheryl é a personificação de muitas mulheres. É aquela que perdeu a mãe muito cedo. É aquele que trai o marido com inúmeros parceiros. É também a usuária de heroína. É aquela que não se reconhece mais como indivíduo. É uma estrangeira de si mesma. Vivendo de maneira automatizada em busca de uma possível redenção ou expiação de uma culpa que nem ela mesma sabe qual é... Um belo dia, essa mulher (que é várias) decide se lançar numa jornada de autoconhecimento.  Ela abandona tudo e parte em direção ao desconhecido.



A beleza do filme está toda nessa trajetória. Que é sim dolorida, mas também redentora. Nesse rito de passagem, Cheryl enfrenta seu “corpo de dor” de maneira realista e palpável. Perscruta cada sobra de dor, cada emoção negativa não enfrentada, não aceita e abandonada de forma plena. Aos poucos, ela compreende que esse “corpo de dor” se alimenta de inconsciência e infelicidade, tornando-se a base de sua identidade. Mas Cheryl revive e ilumina cada lembrança, cada gesto, cada palavra. E é somente nessa investigação que há alguma possibilidade de libertação. Mas não é só isso. Ou Apenas isso. Numa metáfora genial (que eu não vou revelar aqui), ela também aprende a lição mais preciosa de todas:
 
Não projetarmos as antigas emoções nas situações significa que devemos encará-las diretamente dentro de nós.” (Eckhart Tolle)
 
É sobre isso o filme. Pra encerrar também gostaria de citar um trecho da Clarice Lispector que ficou martelando na minha cabeça durante a exibição do filme:

“Ah, Deus, e que tudo venha e caia sobre mim, até a incompreensão de Mim mesma em certos momentos brancos, porque basta‑me cumprir e então nada impedirá meu caminho até a morte‑sem‑medo, de qualquer luta ou descanso me levantarei forte e bela como um cavalo novo...”



Mateus Barbassa é ator, diretor teatral e crítico de cinema.