31 jan/16

Fábio Jr. se apresenta em Ribeirão

postado por Diogo Branco

A Virazóm, em parceria com o Ribeirão Shopping, traz de volta a Ribeirão Preto o cantor Fábio Jr. com o show "O Que Importa é a Gente Ser Feliz". A apresentação acontece no dia 09 de abril, sábado, às 21h, no Centro de Eventos RibeirãoShopping.



Em turnê desde 2014, o público poderá relembrar grandes sucessos da carreira do cantor, como "Só Você", "O Que É Que Há", "Alma Gêmea" e "Caça e Caçador", além de músicas que fazem parte do novo CD, como "Tô Investindo Nessa História", e "Será Que Fui Claro?".

Com mais de 30 trabalhos em sua discografia, Fábio Jr. é dono de uma carreira consolidada e com fãs de diversas faixas etárias. É um dos cantores românticos mais famosos do país, conseguindo emocionar também pela sua interpretação exclusiva de cada canção.

Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria do Centro de Eventos do RibeirãoShopping ou por meio do site do ingresso rápido www.ingressorapido.com.br




SERVIÇO
Fábio Jr. apresenta "O Que Importa é a Gente Ser Feliz"
Data: 09/04/2016
Horário: 21h
Local: Centro de Eventos RibeirãoShopping
Endereço: Av. Coronel Fernando Leite, número 1.540 - Jardim Califórnia




31 jan/16

Ana Carolina em novo show

postado por Diogo Branco

Ana Carolina está mais confortável do que nunca em seu novo show "Solo".  
Acompanhada pelo seu violão e sentada em um banquinho simples de madeira, a cantora está se sentindo em casa. Isso porque ela foi apresentada ao público no início de sua carreira e ganhou projeção nacional justamente deste jeito, no formato "voz e violão".




"Solo" estreou no Rio de Janeiro este mês, e surpreendeu por ser um show grandioso apesar da sua simplicidade cênica e da falta de outros músicos a acompanhando. O show é anunciado como a volta ao início da carreira da cantora, e de fato apresenta a mesma Ana de sempre: com sua voz inconfundível, a artista aproveita o contato com o público durante os shows para declamar, discursar sobre a situação atual do país e contar piadas.

Durante o show, Ana apresenta canções nunca antes tocadas por ela, surpreendendo os fãs presentes. Canções como "Hoje" (Mc. Ludmilla), "O Que é Que Há?" (Fábio Jr.),  e "Coração Selvagem" (Belchior) são revezadas com grandes sucessos da cantora, como "Pra Rua Me Levar", "Nua" e "É Isso Aí".

Alguns vídeos da cantora em seu novo show já estão disponíveis no Youtube
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30 jan/16

Zizi lança requintado EP

postado por Diogo Branco

Um dos primeiros lançamentos musicais de 2016 é o EP requintado de uma das maiores cantoras nacionais: Zizi Possi.



Seu novo álbum, "O Mar me Leva" traz ritmos inusitados na impecável voz da cantora. O fado, por exemplo, está presente na canção que dá nome ao álbum, "O Mar Me Leva", e também na faixa "Coisas do Coração", última música do EP. "Coisas do Coração", inclusive, é a versão em português assinada pela própria Zizi da canção Cusas di Curaçon (2010), de Adalberto Silva, compositor de Cabo Verde.



Zizi suaviza o lirismo que faz o elo entre Brasil e Portugal com seu timbre inconfundível. A melancolia, que está arraigada na voz de Zizi, não podia estar fora do EP, porém, ela se mostra ao lado da suavidade e sofisticação, tornando tudo mais leve. A cantora, mais uma vez, conquista os ouvintes apenas pela sua voz e afinação, não precisando necessariamente se destacar pela imagem.

O EP está disponível para ser ouvido no iTunes. (
clique aqui)



22 jan/16

Crítica Filme O Clube

postado por Mateus Barbassa



Sabe tudo aquilo que "Spotlight" tenta desesperadamente ser e não consegue? Então... o diretor chileno Pablo Larraín vem e nos brinda com uma verdadeira aula de cinema. Sem perder de vista que um filme é sempre um filme e não outra coisa, "O Clube" se mostra uma pequena obra-prima de como a religião pode deturpar a mentalidade dos homens. Sem alarde, sem dedos em riste, o filme é um soco em plena boca do estômago. Retratando o cinismo e a proteção dos padres pela Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana nos casos de pedofilia, Larraín interessa-se por alguma humanidade falhada desses homens que vivem afastados de tudo e todos num estado de penitência eterna. Essa suposta condenação é extremamente mecanizada, gerando um ciclo quase perpétuo de pequenos prazeres e muita hipocrisia que acaba por desembocar numa espécie de violência perversa. A chegada de novos personagens parecerá alterar esse círculo vicioso, mas a coisa está tão entranhada que a missão acaba por retroalimentar o sistema todo.


 
A única saída possível para aqueles homens infantilizados e ausentes de qualquer vestígio de culpa seria a conscientização de seus atos. Assumir a responsabilidade de seus atos seria a única forma de se livrarem do inferno em que vivem. Esse escapismo às consequências de seus crimes particulares e acobertamento dos mesmos pela Igreja é a própria doença. Essa renúncia à verdade é a face mais maléfica dessa Instituição que se crê sagrada. Essa recusa à realidade é um simulacro de sabedoria, mas o olhar arguto de Larraín mostra o que ali se esconde: a face do medo, da hipocrisia e da imaturidade.


 
Pascal Bruckner escreveu que tornar-se adulto "é descobrir que o obstáculo não é a negação, e sim a própria condição da liberdade, que, se não encontra nenhum entrave, é apenas um fantasma, um capricho vão, já que só existe pela igual liberdade dos outros, baseada na lei." Em suma, tomar as rédeas da própria vida, se responsabilizar por ela. Mas a mente cria suas ciladas, sobretudo, se ela for religiosa. Já que estará ainda mais moldada pelos hábitos, condicionamentos e crenças. Tudo isso é captado pela direção de maneira exemplar. A fotografia e o tom escuro do filme fazem com que enxerguemos aqueles homens sob uma espécie de névoa. Sim. Essa névoa não seria a representação de tudo aquilo que a Igreja e seus líderes varreram para debaixo do tapete durante séculos e séculos? Ao final, a tentativa desesperada de uma suposta punição só reforçará o caráter cínico daqueles religiosos.



Mateus Barbassa é ator, diretor teatral e crítico de cinema

13 jan/16

Crítica Filme 45 anos

postado por Mateus Barbassa





“Meu senhor, livrai-me do ciúme! É um monstro de olhos verdes, que escarnece do próprio pasto que o alimenta."
 
"45 anos" do diretor Andrew Haigh é um pequeno grande filme sobre o quão frágil são os vínculos humanos. Desempenho brilhante de Charlotte Rampling que através de silêncios e sutis variações de expressões faciais constrói uma personagem comovente às voltas com a incerteza de que tudo o que viveu com o seu marido foi uma mentira. Não há traições. Nada disso. Apenas a fantasmagoria de um primeiro amor de seu marido que  vem à tona na semana em que eles vão dar uma festa de comemoração dos 45 anos de casados. Andrew Haigh capta com extrema sensibilidade a dor de ambos de mexer com uma história aparentemente resolvida. Será? Pouco a pouco, fica a impressão de que mesmo quando estamos juntos com alguém a nossa condição solitária se mantém. Afinal, ninguém sabe o que vai na cabeça do outro. O que pensa? O que deixou de viver? O que realmente sabemos sobre o outro? E sobre nós? E sobre o amor? É possível ter alguma certeza sobre esse sentimento absolutamente misterioso e poderoso? Mesmo depois  de toda uma vida juntos é compreensível sentir-se atemorizado diante de uma sensação de rejeição e a possibilidade de abandono? Ou  é condição sine qua non de um relacionamento sentir-se permanentemente inseguro? 

 
O aspecto mais dolorido de "45 anos" não está no que é dito, no que é mostrado, no que é sabido, mas no que é imaginado, pensado. Na vida que poderia ter sido e que não foi. Nas escolhas, abnegações que fazemos ao longo da vida e que quando olhamos um tempo depois, elas parecem indicar que  o que não escolhemos, o que deixamos para trás, sempre parece melhor do que temos hoje. Somos constantemente perseguidos pelas possibilidades. Buscamos um relacionamento na esperança  de que isso nos faça esquecer a solidão, o sentimento de insegurança, inferioridade, e quase sempre fracassamos.
 
Sim. "O fracasso no relacionamento é muito frequentemente um fracasso na comunicação",  como definiu muitíssimo bem o sociológo Zygmunt Bauman. O não dito, o não revelado, o não verbalizado ganha forças. O aspecto fantasmagórico da obra  é reforçado pelas escolhas minimalista da direção que evoca o tempo todo o cinema de Ingmar Bergman e sobretudo o antológico "Cenas de um Casamento". Mas é só uma referência, não uma cópia. O diretor Andrew Haigh já tinha demonstrado habilidade nesse tipo de tema em seu filme anterior "Weekend" em que dois caras se conhecem, transam e começam a gostar da companhia um do outro, mas um deles só quer curtir, enquanto o outro quer algo mais sério. Quais são os riscos de escolher entre uma coisa ou outra? A resposta pode estar em "45 anos"... ou não. 



Mateus Barbassa é ator, diretor teatral e crítico de cinema

08 jan/16

Melhores Séries de 2015

postado por Mateus Barbassa

The Leftovers – 2° Temporada - HBO


 
 
Um belo dia (14 de outubro), sem mais nem menos (será?) 2% da população mundial desaparece. Não há perda de tempo com explicações ou teorias. É assim. Aconteceu e pronto. Passam-se três anos e os personagens que perderam entes queridos não conseguem esquecer o ocorrido. Há um peso no olhar e nas costas desses personagens. Uma espécie de mal estar palpável paira em todos os lugares. Mas a série vai além, misturando religião (alguns acreditam na ideia de arrebatamento bíblico), ciência e psicanálise. O foco está mais na concretude da solidão e desamparo dos personagens que ficaram do que numa trama de suspense bobo. Interessa aqui os deixados pra trás. Interessa aqui a culpa e a melancolia de não se entender direito o que se sente, o que aconteceu. Daí que a série é menos sobre o sobrenatural e mais sobre o desamparo humano diante da violência de uma perda. Seja ela materializada na morte física, ou na ausência de uma pessoa que antes fizera parte de nossas vidas e agora sumiu... Sim. É tudo sobre ausência. É tudo sobre a capacidade de seguir adiante. O prólogo da segunda temporada remonta ao começo do universo e nos mostra que a história é feita de perdas. Que é assim, e sempre será assim. Até quando? Não se sabe. 
 
O que autor Damon Lindelof faz aqui é uma obra de arte daquelas que geram estados de espírito absolutamente novos. Sim. E toda grande obra é espiritual. E sim, a espiritualidade é um estado de espírito. Essa segunda temporada mostrou toda a jornada humana num mundo totalmente amendrontado, perdido, carente, em busca de alguma possível resposta, de uma quase impossível redenção. Daí, que "The Leftovers" nos fala desde o seu primeiro episódio sobre a experiência do abandono, daquilo que não tem explicação, sobre afeto e culpa. 
 
Por isso, nessa segunda temporada é tudo o tempo todo sobre o amor. Sobre a capacidade humana de seguir. Mesmo não sabendo nada de nada. Somos uns perdidos. Jogados ao léu. Obrigados a existir em meio a tantas coisas. É tudo sobre a verdade. Não como conceito. Mas como prática. Somos ensinados a mentir. Suportar. Esconder nossas dores e fracassos. Mentir que está tudo bem mesmo quando não está. É preciso fazer um movimento hercúleo em direção a si mesmo. É preciso saber que se há um mal, ele se esconde na negação de si mesmo e do outro. Duas famílias. Uma aparente perfeita. A outra, em frangalhos, toda desunida. A primeira varreu toda a mentira para debaixo do tapete numa simulação de amor. Ao contrário da outra, que ao longo dos episódios foi aprendendo a colocar luz sobre seus fantasmas. Uma família totalmente disfuncional. Unida não pelo laço sanguíneo, mas, sobretudo pelo afeto. A jornada dos Garvey's (e agregados) é sobre o milagre diário do amor. Já os Murphy's são o mundo inteiro.

O que Damon Lindelof faz é esquizoanálise pura. Ele nos mostra como a vida na terra está entorpecida, como estamos apegados a uma suposta identidade que é fraudada pelo social, como temos medo e como isso nos faz buscar constantemente conforto e respostas. Estamos sempre preocupados em interpretar as coisas, pessoas e nos esquecemos de sentir.  Será da capacidade de ouvir o outro que brotará alguma possível redenção.
 
The Affair – 2° Temporada - Showtime



"The Affair" sempre se caracterizou como uma série sobre o desejo, suas possibilidades. Nessa segunda temporada, acompanhamos as conseqüências possíveis de uma traição e como os personagens reagem ao serem abandonados. Cicatrizes, feridas abertas, o passado que teima em pairar sobre a vida dos que foram deixados pra trás. É possível construir uma nova história sem ferir ninguém? É possível ser feliz quando isso envolve a infelicidade alheia? É possível ser algo além do que aquilo que somos? Ou o olhar alheio nos define tanto que é impossível ser outra coisa?
 
Tudo em "The Affair" gira em torno da construção social dos papéis de adultos. Homem, mulher, pai, mãe, amante, esposa. Em que ponto nos transformamos nisso que somos? Quando aconteceu o tal encaixe entre nós e a sociedade? O que deixamos pra trás? "The Affair" é também sobre afetos, culpas, lembranças... Um exercício psicanalítico de recordar, repetir, elaborar os traumas. 
 
Tudo isso se amplia quando são incorporadas outras duas versões, além de Alison e Noah temos também Cole e Hellen. O mais assustador é ver como a série capta o essencial de cada personalidade e nos coloca em pleno olho do furação. Não há onde se segurar. Toda versão é apenas isso; uma versão. 
  
Incrível o trabalho de todo o elenco principal, concebendo não apenas um, mas quatro possibilidades de personagem. Mas é Helen, a esposa traída, a que mais ganhou com essa nova dinâmica da segunda temporada. E a atriz Maura Tierney nos brinda com uma atuação tão cheia de possibilidades e descaminhos, que rivaliza em pé de igualdade com a maravilhosa Alison de Ruth Wilson que ganhou um Globo de Ouro por esse papel. As duas são o grande destaque da série, assim como o roteiro que brinca o tempo com a paralaxe, mergulhando fundo nas questões humanas demasiado humanas que envolvem os personagens e seus desejos. 
 
Mr.Robot – 1° Temporada - USA Network


 
Sim. Ecos de "Clube de Luta". Uma boa pitada de "V de Vingança" do Alan Moore. Mas "Mr. Robot" é uma obra originalíssima. A qualidade desses dez episódios da primeira temporada é impressionante, mas não vou ficar aqui chovendo no molhado, elogiando o roteiro, fotografia, trilha sonora, elenco etc. É tudo muito bom e ponto. O mais interessante da série é discutir esse ato de implosão do sistema pelo próprio sistema. E o quem vem depois? O que poderá emergir da falência do modus operandis de toda uma civilização? Elliot, o protagonista da série, é um dos personagens mais complexos que já vi. Uma espécie de Hamlet hiper-contemporâneo, não mais inserido no drama da alienação, mas no exato instante do êxtase da comunicação. Não só Elliot, mas todos os outros jovens personagens. É tudo sobre identidade. Sobre tornar-se aquilo que se é numa forma degradada de realidade, onde a única opção, até agora, sempre foi simular algo que nunca existiu de verdade. Elliot, Terrry, Angela e Darlene são obrigados a existir em meio à fantasmagoria de um passado que não apenas os define, como os impossibilita (e ao mesmo tempo os impele) de ir além. Encarar esse passado de frente é o que resta. Por isso, essa primeira temporada ainda me pareceu um grande prólogo do que virá a seguir. Sim. Porque a catástrofe ainda não aconteceu (se é que irá acontecer). Foi Baudrillard que afirmou que a causa produz o efeito e que elas nunca poderiam levar outra senão a crise. "O que sempre fascinou os homens, foi o duplo milagres do aparecimento e do desaparecimento das coisas." Baudrillard estava certíssimo. É tudo sobre aparecer e desaparecer. É daí que vem a vontade ambígua de Elliot de ao mesmo tempo salvar o mundo e querer ficar sozinho.
 

UnREAL – 1° Temporada – Lifetime


 
É impossível assistir a série "UnReal" sem pensar em todos os realities shows que você já assistiu na vida. Retratando uma emissora de TV decadente e os bastidores de um programa de reality em que um homem busca pretendentes entre várias mulheres, a série é um prato cheio para quem gosta de um bom drama e a mistura entre realidade e ficção. Temos a diretora impiedosa que busca apenas material para edição, mas que é apaixonada por um cara que parece não estar muito ai pra ela. Os produtores responsáveis por manipular e criar situações e personagens. A psicóloga que fica o dia inteiro disponível e fornecendo dicas de possíveis traumas para que os produtores tenham melhores resultados. Temos o "príncipe" bonitão que só aceita participar do programa para ganhar 15 minutinhos de fama e sair da dependência paterna. Temos as candidatas ao coração do moçoilo, cada uma com uma características especial. Tem a bulímica. A negra barraqueira. A interiorana. A virginal. A vilã. Etc. Etc. Etc. A protagonista é Rachel. Aquela que é considerada a melhor produtora do programa. Mas que teve um surto na temporada passada e agora está de volta. Quem é ela? Personagem complexa e contraditória. Assim como todos do programa. Não há santinhos. Nem vilões. Eles são produzidos conforme a vontade da audiência. Rachel tem um talento especial (ou uma doença?) consegue manipular os participantes do programa para aquilo que seja mais rentável para o programa. Apesar disso é também a mais vulnerável. Assim como todos ali. Não há julgamento rápidos. A série vai se construindo num crescendo interessantíssimo. É um jogo. Tudo e todos são manipuláveis. O tempo todo.
 
"UnReal" é uma série assustadoramente contemporânea. Diz muito sobre o estado das coisas em nossa sociedade. É tudo sobre a simulação, mas também tudo sobre a verdade. Numa dicotomia absurda. Todos mentem para todos. E todos parecem acreditar em suas próprias mentiras. Provocando uma rede de relações e intrigas mutáveis a cada nova cena, a cada novo lance, a cada novo episódio. Mas o mais incrível de tudo, é que algo nessa podridão parece se revelar. O quê? Era essa pergunta que me fazia assistir com entusiasmo cada novo capítulo. Ao final da temporada acredito ter encontrado uma resposta. Talvez não haja verdade, nem mentira. Apenas necessidade. Desejo. E tudo absolutamente moldado pela ocasião, pela cultura, pela sociedade. Vivenciamos a era da sociedade espetacularizada. Com a grande diferença que talvez não precisemos mais tanto assim das mídias consideradas fundamentais para o estrelato. Hoje cada um de nós virou seu próprio empresário. Nos vendemos o tempo todo. Vendemos uma imagem. E é ela que mais nos diz sobre nosso fracassos e anseios. Todos os personagens em "UnReal" apesar de conscientes do fingimento anseiam algo que ali é vendido: o amor verdadeiro. 
 

Sense8 – 1° Temporada - Netflix




Gostei muito dessa série da Netflix, por nos mostrar que tudo já está dentro de nós e só precisamos nos lembrar disso. Tudo é feito pra nos adormecer e entorpecer e assim ficamos cada vez mais inconscientes de nós mesmo e indiferentes aos outros. Sim, essa é a armadilha. Vamos deixando de lado nossos instintos e potenciais e damos ouvidos aos sussurros mentirosos de nossa mente, que tentam nos castrar e nos deixar acomodados com nossa cultura, nossa religião, nossa família. A saída possível está em ouvir o coração, deixar fluir e assim acessar todo o potencial que já está contido em nós. Não é preciso descobrir nada, pois tudo já está lá. É só uma questão de acesso. De limpeza e compreensão de nós mesmo. A série é linda, justamente por isso. Porque somos sozinhos, e devemos respeitar isso em nós, mas também precisamos dos outros e cada um de nós pode ajudar ou ser a salvação do outro em algum aspecto. Sim. Porque ninguém sabe tudo e sempre é possível compartilhar e aprender com os outros. Isso nos torna maiores e melhores. 





Mateus Barbassa é ator, diretor teatral e crítico de cinema

07 jan/16

Autocontrole

postado por Juliana Sfair

Entre uma página e outra, alternando os livros, pensando no quanto tenho medo da morte, medo de tudo que não posso controlar. Controle, é isso que uma pessoa com síndrome do pânico tem medo de perder: o controle. Mas nada está sob controle, eis a angústia, o palpitar do coração, o acelerar da mente.
Entre uma página e outra dos livros que gosto, entre pensamentos sob controle e ansiedade, eu pensei na sua pele branca, seus cabelos pretos, no meu anel que ficou no seu quarto.
O jeito de andar que mistura um pouco de juventude e a postura de atleta. Fechei os olhos lembrei do autocontrole ao andar, falar, ser, ganhar, perder, viver.
Poderia ter aprendido mais sobre autocontrole com você, mas duas pessoas mimadas não ficam muito tempo juntas. Sim, eu também acho que a obrigação do mundo é me bajular; e percebia nitidamente isso em você também.
Colisão, explosão, disputa. Quem iria ceder primeiro? Quem iria sumir primeiro? Quem voltaria? O jogo mais aberto que já joguei. A disputa mais declarada que enfrentei. SILÊNCIO.
O diferencial é que você olhava dentro dos meus olhos.
Você nunca teve medo.



Juliana Sfair
Escritora