31 mai/16

Ele & Ela

postado por Juliana Sfair

Nunca saberei os motivos que levaram a moça de asas brancas à loucura, apenas sei que foi após um sonho.
Ele era um príncipe com asas negras, ela era a inocência do sonho,a alma em branco.
Ela era intuição benévola, ele pecado a ser consumado pelas retinas de quem adentrasse o seu mundo.
Os espelhos quebraram, os quadros caíram, o sangue atingiu a superfície. A doce pele respirou o ar sombrio de séculos. E tudo foi como já estava escrito, era Maktub mais uma vez mostrando que nada escapa quando tem que ser.



Juliana Sfair é Atriz e Escritora

30 mai/16

"A pele que habito" - Crítica de filme

postado por Mateus Barbassa



A primeira parte de “A Pele que Habito” é extremamente didática e chata. Almodóvar cria um enredo interessante, mas peca por esmiúça-lo inteiro ao público. Ele opta por explicar passo a passo da tal trama. Não só explicá-la, mas também mostrá-la. Sempre didaticamente. Como se dizesse: “Olhem como sou genial!” ou então “Xiiiii, se eu não explicar tudinho, vocês não entenderão”.

Ok Almodóvar esse é um caminho, mas você já foi mais audacioso, não? Até compreendo que a necessidade atual de se falar com todos os públicos promova esse tipo de ataque à inteligência do espectador, mas tudo bem... Prossigamos.

Lá pelas tantas, depois de um começo modorrento, o filme começa a engrenar. Quando Almodóvar é Almodóvar não tem como errar. E isso se dá quando um estranho personagem irrompe a tela. Sim. Um homem fantasiado de tigre. Coube a ele me despertar desse começo tedioso. É ele quem balburdia com as certezas absolutas daqueles personagens e eu diria até do próprio Almodóvar. O inusitado da fantasia provoca um estranhamento interessante: Mas por que um tigre? Oras, porque um tigre é um predador silencioso, consegue se aproximar de sua vítima sem ser notado. E é exatamente isso que o personagem faz. Ao balburdiar em termos ficcionais com o filme, ele coloca em xeque o tom sério utilizado pela direção até então... A partir daí, o filme ganha contornos mais interessantes. Não vou perder tempo explicando o enredo do filme. Se você está me lendo é porque já o assistiu, então..

Aos poucos, Almodóvar vai acrescentando camadas e mais camadas nas ações fílmicas, e é ai que ele cresce. A revelação de como as tramas do homem vestido de tigre, da mulher que habita uma sala onde tudo que ela faz é gravado, do médico e da mulher que cuida da casa é muito boa. O flashback aqui é utilizado de forma épica. A narração da mulher que cuida daquela casa é lúcida, apesar de emocionada. A outra mulher só ouve, perplexa. A tomada da consciência se dá entre os personagens e o público, ao mesmo tempo. Enfim, mais Almodóvar impossível. Esse é um belíssimo momento do filme. Direção, atrizes e texto em perfeita sintonia. O canto da criança enquanto brinca de casinha é o prenúncio da tragédia. Alguém vai morrer. E Almodóvar nunca brinca com o espectador aleatoriamente. Sim. Alguém morre mesmo. O filme então retrocede no tempo e vemos como tudo chegou até aquela situação. Incomoda-me a maneira como Almodóvar tratou o sexo nesse filme.

A visão é extremamente machista. Como se a mulher fosse uma eterna possível vítima de estupro. E o homem um eterno tigre que se aproxima silencioso. É interessante notar que o cara que estupra a filha do médico é um moço que trabalha no brechó. Sua função é justamente vestir manequins na loja de sua mãe. Nesse filme, a mulher é esse manequim de uma suposta loja. O gesto que o garoto que estupra faz na garota estuprada ao vesti-la é idêntico ao de quando ele veste o manequim na loja. O Pai descobre a filha estuprada no meio do jardim. O pai vê o suposto estuprador indo embora de moto. O pai quer vingança. E o que ele faz? Ele seqüestra o garoto e faz uma vaginoplastia nele e o transforma numa mulher. Mas não uma mulher qualquer. Não. Ele transforma o estuprador de sua filha numa cópia fiel de sua esposa falecida. Aqui a situação é olho por olho, dente por dente. A punição para o estuprador é virar mulher e sofrer novos abusos sexuais. Acho essa lógica extremamente perigosa. E bem machista. Almodóvar que já criou mulheres maravilhosas no cinema, nesse filme cria um único personagem interessante; o personagem do médico. Só. Todos os demais personagens gravitam em torno dele. Almodóvar não permite que os outros personagens alcem vôo próprio. Não. Quanto aos personagens femininos a coisa é bem definida.

O papel é sempre de submissão. Tanto a filha, quanto a esposa, passando pela empregada e até mesmo a mãe do garoto que “vira” garota são personagens que vivem em função do macho. É uma opção. É uma visão de mundo. E não percebi a coisa como uma crítica ao modelo falido de uma sociedade. Não. É apenas uma opção estética, eu diria, para aumentar a dimensão psicológica do papel do médico. O jogo aqui se dá entre homens. Mais especificadamente entre o pai e o estuprador de sua filha. A terceira parte do filme mostra como o garoto reage a mudança de sexo e a prisão domiciliar que o médico lhe impõe. A arte e a prática da yoga salvam o garoto da loucura. A artista plástica Louise Bourgeois é evocada. A arte como garantia de sanidade. Quem conhece a obra deslumbrante dessa artista genial logo reconhece a inspiração, mesmo antes do cineasta mostrar rapidamente o garoto lendo um livro dela. Eu respiro. Sim. O filme também. Esse ponto lúdico do filme amplia a dimensão psicológica do médico e não do garoto. A obra de Bourgeois é quase que toda dedicada ao seu pai, representado no filme pelo papel do médico. Pai aqui não no sentido biológico, mas um quase Deus. Ou aquele que dá a vida a alguém.
Bourgeois viveu o tempo todo em peleja com esse pai imenso que castrava tudo e todos. Em sua arte, matou-o em sua obra mais famosa chamada “A Destruição do Pai”. Sim. Caberá ao garoto/garota matar esse pai. Dessa vez no plano real. Só a arte não dá conta... O ressentimento é grande demais. A tragédia espreita. Sim. Alguém irá morrer. Não só o médico. A empregada que aparece na hora errada também. O garoto/garota agora está livre. Está mesmo? Ele vai em busca de seu passado e Almodóvar tem a sabedoria de não levar o filme até o ponto de tê-lo que transformar em algo cômico. Os risinhos irônicos (e imbecil) dos espectadores no momento em que o filho vai contar quem é para sua mãe é interrompido pela tela escura e pelos créditos finais. Sim. Almodóvar não faz uma concessão ao óbvio e isso é um ponto bastante interessante.

Ao final do filme fiquei ali sentado ouvindo aquela trilha sonora maravilhosa que acentuava o tom misterioso do filme. Ali entre o terror e o esdrúxulo. Exatamente igual ao filme.










Mateus Barbassa é ator, diretor teatral e crítico de cinema.


 

25 mai/16

Moda masculina: Camisa estampada

postado por Beatriz Oliveira

Recebi alguns pedidos de alguns leitores para falar sobre moda masculina. Aliás, fica o convite para vocês sempre me mandarem recados do que querem ler por aqui. Pode mandar tanto pela página do meu blog (facebook.com/blogcochichosebrioches) ou por e-mail (contato@cochichoebrioches.com.br). Vou adorar receber as sugestões de vocês.




Bom, não são todos os homens que deixam o básico de lado e apostam em estampas não é mesmo? Mas que tal começar aos poucos? Usando uma camisa estampada por exemplo.






O equilíbrio está em combinar a camisa estampada com uma peça mais básica em baixo, seja com a calça jeans ou com a calça de chino ou de sarja.


Eu sei, estamos no inverno, mas Ribeirão é quente na maioria dos dias do ano né? Nesses dias, aproveite para escolher cores vibrantes e estampas tropicais com bermudas.






Quer um detalhe a mais? Dobre a manga da camisa ou use ela abotoada até . E é claro, a calça também pode ter a barra dobrada.



Duas estampas do “vai e vem” da moda é o militar e o xadrez. O militar você pode usar com tons terrosos e para os dias mais friozinhos, combine com uma jaqueta estilo avidor ou a velha jaqueta de couro amiga para todas as horas.


Já o xadrez pode separar no armário para todas as épocas do ano, nada de ser peça “exclusiva” das festas juninas. A produção pode ter uma pegada rocker, até porque vem do guarda-roupa grunge.







 



Claro que para o trabalho, há uma restrição para estampas. Já que elas tornam o look mais descontraído. Mas dá para usar sim! Escolha camisas de fundo em um tom escuro, como preto, marrom ou azul marinho, e com uma estampa mais discreta como o floral pequeno. A combinação com o blazer traz mais elegância a produção.



Outra ocasião mais formal são casamentos. Ao ar livre, no campo ou na praia. Combine combine a camisa na estampa floral com os trajes mais tradicionais. O floral pequenininho, também nomeado como Liberty cria a sensação de “textura” e torna a produção muito mais interessante.



O que acharam? Já vão atrás de uma camisa estampada né? Conta para mim, quero saber <3




Beatriz Oliveira é farofeira e apaixonada pelo mundo da moda.
Quer mais dicas sobre como montar looks incríveis? Escreva para farofaculturalribeirao@gmail.com

 

23 mai/16

Zeca Baleiro apresenta novo álbum

postado por Diogo Branco

Totalmente autoral e inédito, "Era domingo" apresenta a nova safra de canções de Zeca Baleiro. Para a crítica, o CD é autoral e nublado. Isso porque ao escutar as 11 músicas, nos deparamos com o retratamento de melancolias cotidianas. Apesar da capa sugerir um disco solar, as músicas contém versos que soam como flashs cinzentos. É um CD urbano, sobre os cidadãos que perderam o valor dos sentimentos, e são "automatizados".




"Eu sou a multidão sem alma / Multiplicando multidões / A dor dos corações sem calma / Velando a morte das paixões".

O novo trabalho de Zeca passeia por vários ritmos. Vai do reggae, presente em "O amor é invenção", ao baião em "Pequena Canção".
Além dessas, a autoral que dá nome ao álbum, a faixa Era Domingo, e outras como Ela Parou no Sinal, Homem Só, Balada do Oitavo Andar e Pequena Canção estão no repertório. 

O músico compartilha vocais com Ellen Oléria, Lino Krizz, Luciana Vieira, entre outros convidados.




22 mai/16

"Eu, Lilith" - Lançamento de livro

postado por Diogo Branco

O Farofa Cultural parabeniza a escritora e atriz Juliana Sfair pelo lançamento do seu segundo livro, intitulado "Eu, Lilith".

O lançamento aconteceu no último dia 17, no Centro Cultural Palace, e contou com a presença de artistas, amigos e imprensa.

Confira tudo o que rolou na noite do lançamento:


21 mai/16

Como nossos pais

postado por Diogo Branco

"Retrocesso".
Foi essa a palavra que me veio à mente neste mês, quando resolvi me reaproximar dos noticiários televisivos e das redes sociais. "Com passos de formiga e sem vontade", como diria Lulu Santos, a nossa sociedade evolui, sim. Vai atrás de seus direitos, consegue muita coisa, sim. Mas sempre dá um passo para trás quando resolve dar dois para frente. E o noticiário bombou. Mas destaco dois pontos de retrocesso que me fazem descrer da construção de um futuro cultural, rico e igualitário. Primeiro:  o Ministério da Cultura em pauta e, mais uma vez, incompreendido por aqueles que não se dão sequer o trabalho de pesquisar sobre sua real função e importância. Segundo: homossexuais descritos em alto e bom tom como "anormais" por apresentadora de televisão de uma das maiores redes nacionais - em programa ao vivo - enquanto que, na mesma semana, uma pastora com milhares de fiéis posta em seu Instagram uma postagem com hashtags como "#CasamentoÉHomemEMulher", "Heterossexualismo", etc.

Sobre o Ministério da Cultura, não há muito o que se dizer. Embora o atual governo tenha voltado atrás e mudado sua decisão, foi um péssimo cartão de visitas logo na primeira semana de governo. A impressão que a classe artística teve não foi das melhores. A Lei Rouanet foi vista por muitos como algo ruim, como um dos motivos da crise do país. O Ministério existe há 30 anos, e a Lei não foi o estopim da crise. É claro que ela deve ser melhorada, e mais bem entendida por boa parte da população. E é claro que a decisão de extinguir o Ministério não duraria muito tempo, especialmente após as milhares críticas negativas de artistas influentes que se reuniram para, juntos, redigirem uma carta contra a decisão do atual governo. Um país sem cultura é um país sem identidade, e extinguir um Ministério de suma importância é uma decisão equivocada - especialmente num país reconhecido internacionalmente pelo seu valor cultural. Volto a relatar o que escrevi acima: a sociedade caminha a passos lentos, e a evolução de um país pode estar nas mãos de mentes retógradas. Depois de muita luta e pouco avanço, seria incabível retirar o pouco que se tem.

Sobre a homofobia, que também foi bastante destacada no noticiário durante este mês, só poderia deixar aqui minha indignação. É claro que existem pessoas preconceituosas e racistas. Isso é inegável. Os gays sabem disso e até certo ponto, aceitam essa triste realidade. Agora, dizer em rede nacional que "não é normal ver homem com homem" parece coisa do século passado. A sociedade evoluiu, e só não vê quem não quer ou quem se recusa a acreditar. Para quem não está entendendo, explico: a apresentadora Patrícia Abravanel disse durante o programa "Silvio Santos" que não acha normal ver homem com homem, mulher com mulher, e por aí vai. Uma comunicadora, uma pessoa pública em rede aberta de televisão não deveria, perante à sua responsabilidade social, tecer comentários sobre o que acha "normal" sobre a comunidade gay. Ela pode até se sentir incomodada com a alegria alheia, com a liberdade que os gays estão conseguindo a curtos passos, ela pode até ter pensamentos de que não gostaria que isso acontecesse, e sonhar com uma sociedade "heterossexual". Mas não pode dizer que não acha isso normal, de jeito nenhum. Ela pode não estar acostumada a conviver com gays, tudo bem. Mas não pode considerar anormal algo que não conhece ou não vivencia. Principalmente, volto a dizer, num programa do SBT, ao vivo, com grande audiência. A televisão ainda serve como educadora e formadora de opinião. É completamente errado sair dizendo ao léo tudo o que se passa na sua cabeça como se isso não fosse prejudicar o próximo, ferir ou desrespeitar. "Considerar justa toda forma de amor" parece estar longe do pensamento de alguns. Patrícia foi bastante infeliz na colocação dela. A opinião dela poderia ser dada na casa dela, se ela quisesse, ou num bar, na fila do mercado - e essa é a verdade dela. Mas faltou a responsabilidade ao perceber que ela não está falando para um grupo de amigas, mas sim para um Brasil inteiro que tem acesso ao programa. E é uma pena pensar que uma pessoa com esse tipo de pensamento possa vir a ter o comando do SBT no futuro.



Paralelo à isso, a pastora Ana Paula Valadão - que, até então, eu nunca tinha escutado falar, para meu deleite e satisfação - resolveu criticar uma campanha da C&A, intitulada "Misture, Ouse e Divirta-se". Segundo a pastora, que inclusive adora esbanjar luxo e vaidade em suas redes sociais, o casamento existe apenas entre homens e mulheres, o sexo seguro é apenas coisa de heterosexual, e homem veste como homem, mulher veste como mulher. Nunca li tanto absurdo junto, numa única postagem. A princípio, eu gostaria de entender o que uma ROUPA pode influenciar na vida das pessoas. Se uma mulher resolver usar roupa masculina, por qualquer motivo que seja, ela não deveria ser respeitada? Ela não estaria de acordo com as "leis" divinas? E olha, aqui não estou falando da sexualidade, estou falando apenas da roupa mesmo. A pastora deveria ter se esclarecido melhor. Ou ter ficado em silêncio, na melhor das hipóteses. Ora, então, segundo o raciocínio da Ana Paula, um cidadão pode até fazer o bem,propagar o bem, respeitar o próximo e não praticar nenhum tipo de maldade na vida, mas basta usar um acessório do "sexo oposto", que todo o seu esforço e sacrifício por um cantinho no paraíso terá sido em vão. Seria cômico se não fosse tão trágico um tipo de pensamento assim. Isso sem falar nas hashtags utilizadas na postagem. #FamíliaÉHomemEMulher . Ah, se ela soubesse quantas "famílias" de homem e mulher abandonam seus filhos para que casais gays os adotem com todo amor e carinho para, sim, constituir uma família de verdade.
Abaixo, coloco a imagem da postagem da pastora, que - é claro -só veste roupas femininas, apesar de serem roupas de marcas famosas compradas em alguma das muitas viagens que costuma fazer ao exterior.




Tudo bem, há quem diga que religião não se discute, nem política.
Discordo, apesar de preferir não entrar nesse tipo de discussão.

Às vezes fica difícil entender o pensamento alheio.

Num mês tão tomado por pensamentos retógrados e preconceituosos, vale lembrar um dos versos mais famosos da música popular brasileira.
Um verso tão antigo, mas, infelizmente, tão atual.

"Minha dor é perceber, que apesar de termos feito tudo, tudo, tudo o que fizemos...Ainda somos os mesmo, e vivemos como nossos pais".





-Todas as opiniões relatadas no texto acima são do autor do texto, não representando, necessariamente, a opinião dos demais integrantes do site.


Diogo Branco
Diretor-geral e colunista do Farofa Cultural













18 mai/16

Sapato masculino: como usar?

postado por Beatriz Oliveira

Eu tenho uma paixão avassaladora - com todos os exageros possíveis - por sapatos. Todo mundo tem seu ponto fraco, não é mesmo?






Os modelos com design masculino tem chamado minha atenção. Mocassim, Oxford ou Loafer.  Acho que dão um toque a mais naquela combinação do jeans + camiseta básica sabe?






Gosto muito da mistura de peças com referências masculinas com peças mais delicadas como saias e vestidos de renda ou florais.


Mas atenção! No caso das saias, as baixinhas devem tomar cuidado com o tamanho. Esses modelos costumam cobrir o peito do pé e combinados com a saia midi podem achatar a silhueta. Aliás, vocês podem até escolher um sapato de bico fino que acaba fazendo o efeito ao contrário.


 

Não só em passeios com as amigas ou cinema com o namorado, você também pode usar o sapato para o trabalho. Combine os blazers com blusas de tecidos nobres e cortes que valorizem a forma do seu corpo.

 






As moderninhas e fashionistas podem apostar nos modelos metalizados, brancos ou com solas tratoradas. Para os dias mais frescos, nada como meias ou meias calças para complementar a produção.




Thássia Naves, Lia Camargo e Julia Faria são algumas das it girls que adoram usar esses modelos em seus look do dia.




Aliás, eu amo as produções da Vic Hollo. O instagram da designer de moda é cheio de inspirações.


 

Onde comprar? Encontro muito esses modelos na Zara. Já para quem mora em São Paulo tem a Inbox Shoes ( @inboxshoes) na Augusta e a loja online Mist Store (@miststoree).


Vocês também gostam desses modelos? Qual foi seu look preferido? Conta pra mim! Mande um e-mail para contato@cochichosebrioches.com

 

 
 

16 mai/16

Crítica Filme DENTE CANINO

postado por Mateus Barbassa

“Mãe, às vezes eu sinto como se o mundo estivesse vazio, e ninguém mais existisse, a não ser nós, quer dizer você, papai, eu e meus irmãos. Como se a nossa família fosse a única e primeira. Então, o amor e o ódio teriam de nascer entre nós”.


Nelson Rodrigues escreveu em 1945 a tragédia em três atos “Álbum de Família”, peça em que personagens atemporais utilizam-se da supressão de qualquer possibilidade de realidade exterior para mostrar o que há de mais abjeto e louco nesse ideal chamado família.
Nelson não poupa nada nem ninguém. Sua metralhadora cheia de mágoas está apontada para todos os lados. De certa forma, o filme "Kynodontas" (“Dente Canino”) do diretor grego Giorgos Lanthimos também tem esse mesmo intuito.

O enredo de "Kynodontas" é extremamente simples e num primeiro momento pode ate soar lírico ou até mesmo parecer com um conto de fadas qualquer. Um aviso: Não se enganem.

O filme conta a história de uma família composta por pai, mãe e três filhos (um homem e duas mulheres) que vive completamente isolada da sociedade. Não sabemos exatamente os motivos. Mas o fato é que excetuando a figura do pai que sai todos os dias para trabalhar, ninguém daquela família parece ter saído daquela casa. Muros Altos e o fato dela ser localizada fora da cidade garantem a privacidade necessária. O filme não perde tempo em explicações. Quando começa, ouvimos um gravador informando as novas palavras do dia. O estranhamento já está presente desde essa primeira cena, pois as palavras proferidas pela voz do gravador possuem um significado totalmente diferente daquele que conhecemos. Os irmãos ouvem atentos numa espécie de pequeno ritual diário. Em seguida, a irmã mais jovem propõe um jogo de resistência; quem consegue ficar mais tempo com o dedo na água quente ganha. Mas o quê? Corte de cena.

Próxima Cena. Uma mulher de olhos vendados é conduzida por um carro dirigido por um homem que ainda não sabemos quem é. Ele é o pai e está levando uma mulher para que seu filho pratique sexo com ela. O filho se exercita. A mulher chega. Eles tiram a roupa. Transam. Tudo mecanicamente. O filme utiliza-se de uma interpretação bastante controversa. Ao mesmo tempo em que é absurdamente naturalista, é também mecanizada, robótica. Tudo parece ser anódino, sem vida, ensaiado. E literalmente é. Aos poucos e sem nenhum didatismo, o filme vai se impondo ao espectador. Sim. Aquele homem (O Pai) trancafiou seus filhos numa casa e não permite que eles saiam dali. O método utilizado por ele é, sobretudo, um terrorismo sutil disfarçado de boa educação. Seus filhos são figuras ingênuas e infantilizadas que acreditam em qualquer bobagem contada pelo pai. A mãe é uma figura omissa, que não tem apresenta nenhuma capacidade de reagir àquilo tudo. E eles vão vivendo assim... Até que pequenas interferências começam a assombrar aquela casa. A mulher trazida pelo pai para transar com o filho introduz alterações circunstanciais ao enredo e o pai terá cada vez mais dificuldades para evitar que seus filhos tenham qualquer contato com o mundo exterior. O enredo basicamente é isso, mas a maneira com que Lanthimos filma aqueles meros corpos é o mais genial aqui. Sua câmera parada (à la Michael Haneke) provoca inquietação e desespero em que assiste. O filme lentamente se transforma num terror contemporâneo que lembra em alguns momentos o filme “A Vila” do diretor M. Night Shyamalan. Estão tanto lá quanto cá; a mentira, a dominação através do terrorismo psicológico, a tentativa de criação de um universo paralelo em que seja possível se esconder do “mal” e a crítica ao protecionismo familiar. O filme “O Enigma de Kaspar Hauser” é outro que guarda semelhanças com "Kynodontas", só que por razões mais sociológicas. Werner Herzog nesse filme de 1974 nos apresenta um personagem criado numa espécie de caverna longe de qualquer contato com a humanidade (excetuando alguém que vem diariamente lhe trazer comida). Um belo dia, esse homem é trazido até a cidade e tem inicio sua saga de conhecimento das coisas fora da caverna.

Falando nisso, o Mito da Caverna de Platão é uma inspiração de todos os filmes citados acima e não poderia ser diferente com "Kynodontas".

“Imagina homens numa morada subterrânea, em forma de caverna, com uma entrada aberta à luz; esses homens estão aí desde a infância, de pernas e pescoços acorrentados, de modo que não podem mexer-se nem ver senão o que está diante deles, pois as correntes os impedem de voltar a cabeça; a luz chega-lhes de uma fogueira acesa numa colina que se ergue por detrás deles; entre o fogo e os prisioneiros passa uma estrada ascendente. Imagina que ao longo dessa estrada está construído um pequeno muro, semelhante às divisórias que os apresentadores de títeres armam diante de si e por cima das quais exibem as suas maravilhas.

Imagina agora, ao longo desse pequeno muro, homens que transportam objetos de toda espécie, que os transpõem: estatuetas de homens e animais, de pedra, madeira e toda espécie de matéria; naturalmente, entre esses transportadores, uns falam e outros seguem em silêncio.

(...) Considera agora o que lhes acontecerá, naturalmente, se forem libertados das suas cadeias e curados da sua ignorância. Que se liberte um desses prisioneiros, que seja ele obrigado a endireitar-se imediatamente, a voltar o pescoço, a caminhar, a erguer os olhos para a luz: ao fazer todos estes movimentos sofrerá, e o deslumbramento impedi-lo-á de distinguir os objetos de que antes via as sombras. Que achas que responderá se alguém lhe vier dizer que não viu até então senão fantasmas, mas que agora, mais perto da realidade e voltado para objetos mais reais, vê com mais justeza? Se, enfim, mostrando-lhe cada uma das coisas que passam, o obrigar, à força de perguntas, a dizer o que é? Não achas que ficará embaraçado e que as sombras que via outrora lhe parecerão mais verdadeiras do que os objetos que lhe mostram agora?“

"Kynodontas" é exatamente isso. Só que é mostrado de maneira fragmentada e muito mais cruel. Quais são as motivações para o pai fazer o que faz? Por que a mãe é omissa nessa história? As crianças já nasceram naquele lugar? Ou foram trazidas para lá? Teriam elas alguma lembrança do mundo de fora dos muros de casa? São perguntas sem respostas que perturbam ainda mais o espectador. Diante de uma sociedade doente aquele pai teria o direito de enclausurar seus filhos e impossibilitá-los de qualquer conexão com o mundo?
Novamente pergunta sem resposta. Podemos até classificar a situação toda de nefasta, mas a motivação do Pai parece ser bem intencionada. E esse é a provocação do diretor.

Daí que "Kynodontas" apresenta seu melhor desempenho quando questiona o modo como nos organizamos como sociedade atualmente. Sim. Porque cada vez mais famílias optam por morar em condomínios fechados distantes da cidade em busca de tranqüilidade e segurança. Qual o preço dessa opção? Altíssimo, respondo eu.

“A incapacidade de enfrentar a pluralidade de seres humanos e a ambivalência de todas as decisões classificatórias, ao contrário, se autoperpetuam e reforçam: quanto mais eficazes a tendência à homogeneidade e o esforço para eliminar a diferença, tanto mais difícil sentir-se à vontade em presença de estranhos, tanto mais ameaçadora a diferença e tanto mais intensa a ansiedade que ela gera.”

Sim. Esse é o mundo que vivemos. O sociólogo polonês Zygmunt Bauman em seu livro “Modernidade Líquida” nos defronta com a própria criação e conseqüente resultado desse comportamento, onde qualquer possibilidade de alteridade é riscada sob o jugo de ser extremamente perigosas. Sim. O Pai do filme tenta desesperadamente livrar sua família de um mundo doente, mas acaba engendrado-os num novo mundo ainda mais doentio e nefando. Para aquele Pai (e não só ele) o outro estranho só traz consigo coação, mal estar e sofrimento... Então pra quê continuar vivendo assim? Por que não inventar uma nova habitação possível?

Talvez porque essa nova possibilidade de habitação seja fruto da alienação e da infantilização do outro.
O filme lembra em muitos aspectos o caso da menina Natascha Kampusch que foi seqüestrada aos 10 anos de idade e passou 8 anos sendo submetida a todo tipo de violência física e ou psicológica. Aos 18 anos ela conseguiu fugir, mas nunca conseguiu de fato retomar uma vida “normal”. Vive enclausurada e sozinha e com medo de qualquer contato mais profundo com o outro. Numa entrevista esclarecedora e  corajosa, ela rejeitou o rótulo de monstro que quiseram dar para o seu algoz: “Ninguém é totalmente bom ou mau”.
E quando perguntada sobre os seus sentimentos para com o homem que a seqüestrou, ela disse: “Aproximar-se do sequestrador não é uma doença. Criar um casulo de normalidade no âmbito de um crime não é uma síndrome. É justamente o oposto. É uma estratégia de sobrevivência em uma situação sem saída”.

A Filha Mais Velha do filme numa decisão quase suicida tentará fugir daquele “paraíso” criado pelo pai e conhecer o que o mundo lá fora lhe reserva.

“- Quando um filho está pronto para deixar sua casa...?
- Quando cai seu canino direito, ou, o esquerdo, tanto faz.
- Nesse momento, o corpo está pronto para enfrentar todos os perigos.
- Para deixar a casa a salvo se deve usar o carro.
- Quando se pode aprender a dirigir?
- Quando o Canino direito voltar a crescer, ou, o esquerdo, tanto faz.”


A cena chave de todo o filme é esse diálogo travado entre o Pai e seus filhos, é essa possível “solução” que dará condição psicológica para a Filha Mais Velha tomar a decisão de romper com o cordão umbilical tardio que a liga aquela casa.
O mais impressionante de todo o filme é a maneira lúcida com o que o diretor coloca nossos conceitos mais profundos em xeque e como através disso, fica provado, que somos seres culturais e nosso comportamento nada mais é que uma resposta aos estímulos que recebemos... A atitude do pai embora exacerbada encontra eco no modus vivendi dos atuais proprietários de casas em condomínios fechados onde as únicas coisas que unem os vizinhos são o dinheiro e o medo.

Baudrillard no livro “A Transparência do Mal” escreve que o princípio do Mal não é moral, mas um princípio de complexidade, estranheza, sedução e, sobretudo, um principio vital de desligação.

“Desde o paraíso, ao qual seu acontecimento pôs fim, é o princípio do conhecimento. Já que fomos expulsos por delito do conhecimento, vamos ao menos retirar disso todos os benefícios.”
Sim. Na teoria de Baudrillard, o conhecimento é o Mal e toda a negação da alteridade é um processo autodestruidor. É exatamente o que acontece no filme. Ao negar a possibilidade do conhecimento do “Mal”, o pai acaba criando algo mais monstruoso que o próprio mal em si.
“Já não é o inferno dos outros, é o inferno do Mesmo”.

11 mai/16

Street Style SPFW N41

postado por Diogo Branco

Chegamos a uma das minhas partes preferidas da semana de moda: os Street Style. O evento em si é um sonho, mas o legal mesmo é ver as produções das pessoas que acompanharam de pertinho a SPFW N41.
 
Blogueiras, profissionais da área e digital influencers passaram pelos corredores  do Pavilhão da Fundação Bienal no Parque do Ibirapuera durante a primeira semana de moda paulista a não ter uma estação definida em seu nome. Época de mudanças no mundo da moda!


 

Jeans porque te amamos tanto? O tecido apareceu em macacões, saias, calças e vestidos. Nada básico, veio acompanhado de franjas, estampas e cheio de patches, as aplicações caíram mesmo no gosto das pessoas.




Eles também foram peças escolhidas por duas it girls. Helena Bordon escolheu um modelo flare com bordados. Já Nati Vozza usou um corte mais reto com naquele truquezinho de barras dobradas. Achei as duas produções básicas do que estamos acostumados a ver em uma semana de moda, mas com detalhes que tornam o look mais interessante. 





Por falar em tornar os looks mais interessantes, os acessórios fazem total diferença. Os óculos escuros dominaram as produções! Ando em uma paixão por bandanas, quero muito montar um look com elas amarradas no pescoço. Olha só na primeira foto, a bandana laranja quebrando o “pesado” do look all black. Já os lenços são mais delicados e clássicos. Teve até quem trocou a bolsa ou a clutch por uma mochila. 




Achei esses três looks para mostrar para vocês. A blogueira Luisa Accorsi escolheu a combinação da camisa por baixo do vestido. O legal dessa escolha é que você pode usar vestidos que normalmente você só usa no verão em todas as outras estações. 



Já a blogueira Jade Seba, usou um casacão. A modelagem oversized ganha destaque no inverno, além de trazer mais conforto para os dias mais preguiçosos e gelados. Agora o que eu amei mesmo, foi essa camisa da Marcela Vasconcelos, a camisa tem uma gola, como se fosse um chocker ou um lenço amarrado sabe? Dá um detalhe a mais na produção. 
 
 
O que achou dos looks? Qual a sua parte preferida do SPFW?
Mande um e-mail para
contato@cochichosebrioches.com contando o que achou! Vou adorar receber seu comentário!







10 mai/16

Lançamento do Livro "Eu, Lilith" de Juliana Sfair

postado por Juliana Sfair

O site Farofa Cultural Ribeirão tem o prazer de convidá-lo para o lançamento do segundo livro da Colunista Juliana Sfair , intitulado como " Eu, Lilith ".
O lançamento será dia 17 de maio (terça-feira), no Centro Cultural Palace ao lado do Theatro Pedro II), à partir das 19h30.

Será com um enorme prazer que o site irá registrar o lançamento.  A cobertura do evento será em vídeo com breves entrevistas com alguns convidados.
Juliana Sfair é uma jovem aposta da Editora FUNPEC. O livro tem o Apoio da Rádio Band FM Ribeirão em que também é colunista.

Durante o evento alguns convidados irão ler trechos do livros.
Contamos com a sua presença, pois será uma noite muito especial.








05 mai/16

Skank se apresenta em Ribeirão

postado por Diogo Branco

A banda mineira Skank já tem data marcada para seu novo show em Ribeirão Preto: 08 de julho. Colecionadora de hits, a banda apresentará também músicas de seu mais novo trabalho, intitulado "Velocia", o primeiro de inédita após seis anos.



"Velocia" é o álbum que melhor traduz os anos de história da banda, e é o disco que, por passear pela carreira do grupo, soa deliciosamente contemporâneo e familiar à primeira audição; foi concebido dentro do estúdio, de modo orgânico, sem conceitos pré-determinados; é o disco do Skank de todas as fases.


SERVIÇO
Data: 08/07/2016
Horário: 20h30
Local: Centro de Eventos RibeirãoShopping
Endereço: Av. Cel. Fernando Ferreira Leite, 1540 - Jardim Califórnia
Preços: Variam de R$60 a R$240
Maiores informações: 
https://www.ingressorapido.com.br/compras/?id=48722#!/tickets

05 mai/16

Marisa Monte lança "Coleção"

postado por Diogo Branco

Marisa Monte lança a primeira coletânea da sua discografia. Coleção é o título da compilação, programada para ser lançada ainda este mês e com a distribuição da gravadora Universal Music.



Mais do que um greatest hits de Marisa, o repertório inclui fonogramas gravados para trilhas de filmes, números ao vivo extraídos de shows e registros feitos para projetos coletivos ou alheios.

Prestes a completar 50 anos de idade e 30 anos de carreira, Marisa resolveu mudar um pouco e lançar músicas que estavam "por aí", como ela disse em suas redes sociais. São músicas que nunca haviam sido gravadas por ela em nenhum de seus nove discos. Algumas já são sucessos, canções preferidas de seus fãs, e já foram registradas em shows ao vivo de Marisa.
Recentemente, a cantora divulgou um teaser audiovisual em seu Instagram com a primeira música de Coleção. Trata-se da canção Nu com minha música - canção de Caetano Veloso. A compilação inclui 13 músicas, confira abaixo o tracklist completo:

1- Nu com minha música
2- Cama
3- Doce Morrer no Mar
4- Carinhoso
5- Alta Noite
6- Primeira Pedra
7- Dizem que o Amor
8- Ilusão 
9- Esqueça
10- Chuva no Mar
11- Fumando Espero
12- Volta Meu Amor
13- Waters Of March - Águas de Março









Diogo Branco
Diogo Branco já trabalhou como músico profissional e hoje escreve sobre as novidades do mundo da música aqui no Farofa.
De Celine Dion à Wesley Safadão, tudo é valido e tudo é notícia por aqui.

Quer divulgar sua banda? Escreva para farofaculturalribeirao@gmail.com

04 mai/16

Brechós

postado por Beatriz Oliveira

Que eu amo brechós ninguém mais dúvida né? Então pulando minhas explicações de amor por eles, vou compartilhar algumas dicas que aprendi com mamãe, a "louca por compras em brechós e antiquários".



Largue a preguiça em casa


A preguiça não tem vez aqui! Antes mesmo de sair de casa, faça uma limpeza no armário, tire aquela peça que você não usa há anos sem a desculpa de “ah deixa, uma hora eu uso”. Se você não usou todos esses anos, não vai usar amanhã não é mesmo? Aproveite para dar uma boa olhada em tudo o que você tem e no que sente falta de ter.


Não está satisfeita com o seu estilo? Acha que ele não combina mais com você? Aproveite esse momento para se redescobrir e encarar mudanças.



Referências


Não estou falando de acompanhar 24 horas as semanas de moda. Claro, todo mundo adora saber sobre as tendências das passarelas. Mas estou falando de referências “mais próximas e reais” sabe? Como aquela it girl ou celebridade que você acompanha pelas redes sociais. Comece a salvar algumas produções delas como forma de inspiração. Tome cuidado! Não vai adiantar nada se ela não tiver a mesma forma de corpo e o seu biotipo.


 

Gosto sempre de olhar em sites como o lookbook (lookbook.nu) e pinterest (pinterest.com).

 

Faça você mesmo

 

O bom DIY que amamos. Vá com outros olhos para o brechó. Aquela calça jeans dois números maiores pode render um short maravilhoso de cintura alta, uma camisa xadrez pode virar uma regata xadrez e uma jaqueta jeans pode virar um colete. A criatividade é o que se destaca aqui.

 

Bordados, pedrarias e aplicações (sabe os patches? Estão super em alta! E fazem a diferença naquela peça jeans básica). Rasgue, descolore ou corte.


 

Se pergunte sempre: você precisa mesmo disso?

 

O preço pode ser uma tentação e você pode acabar levando milhares de peças sem necessidade. Por exemplo, levar uma jaqueta está tudo bem, agora levar três já é exagero né? Tudo bem, está barato, mas você realmente precisa de três jaquetas jeans no armário?

 

Também não rola levar peças que você já possui. Por isso a dica da arrumação antes de sair para as compras. Isso serve para você dar uma boa olhada e levar peças complementares e que vão render vários looks novos.

 

Já anotou as dicas? Agora aproveite para anotar alguns brechós!

 

Em Ribeirão Preto tem o Mercatudo da dona Sara na Rua Saldanha Marinho, 234 - Centro. O telefone é (16) 3625-8975 e tem facebook também: facebook.com/brechomercatudo.

 

Para quem não mora em Ribeirão tem o Enjoei (www.enjoei.com.br). O brechó online reúne peças de fast fashion e também de marcas como Melissa, Farm e Shutz. Ah! Dá para você montar a sua lojinha e também vender os seus desapegos.

 

Gostou? Manda um e-mail para contato@cochichosebrioches.com falando sobre o que achou, dar sugestões de assuntos que você quer ver por aqui ou dar dicas de um brechó super legal que você conheça.



 


Beatriz Oliveira é jornalista, blogueira e apaixonada pelo mundo da moda.
Quer conhecer mais sobre o seu trabalho? Acesse o site
Cochichos e Brioches





 

 

 

03 mai/16

Começar de novo

postado por Cristiane Bezerra

                                           
 


Quanto mais o tempo passa e eu amadureço, mais percebo que sofro de uma doença crônica: “esperancite aguda”!
Na verdade, nem quero que isto tenha cura, se bem que foram várias as tentativas de pessimistas e noticiários de me curar; pra minha sorte, sem sucesso.
Enquanto ouço, repetidamente, “nunca antes na história deste país” isto e aquilo, eu celebro o fato de tantas feridas sendo abertas. Sei que dói. Dói muito mexer em machucados que pensávamos cicatrizados. Mas era só externamente...
Claro que eu preferia que não houvessem feridas, mas enquanto a humanidade não despertar plena e coletivamente para o amor, continuará aprendendo pelo sofrimento...
Confesso que tive decepções muito grandes, chorei por antigos amigos que acabaram corrompidos... Percebi que muitas vezes, tivemos uma certa conivência silenciosa por falhas que considerávamos pequenas, mas hoje percebo cada vez mais que falhas não são grandes ou pequenas, são falhas.
Lesar alguém ou um país em centavos ou milhões, é lesar.
O que acontece de diferente agora é que temos visto ações levadas a cabo. Temos assistido a prisões que jamais aconteceriam, alguns anos atrás.
Isto sim, se deve à democracia.
Esta que precisamos aperfeiçoar, acompanhar, despertar, mas jamais querer derrubar.
Estamos todos no mesmo barco. Sem praticamente nenhuma exceção. Posso não comprar DVD pirata, mas compartilho a pipoca, assistindo a filmes com amigos que compram...
Mas por sofrer de esperança congênita, sinto que o Brasil está finalmente conclamando a sociedade para que participe mais, se envolva, se corrija, mude de atitude e de voto, se for necessário... Ajude a se melhorar, respeitando sua casa, seu vizinho, limpando a própria sujeira.
Temos juízes em demasia, nos campos de futebol, nos tribunais, em toda a parte.
Precisamos observar o quanto de réus trazemos em nós, para corrigir o que precisa ser melhorado e celebrar que podemos trilhar um novo rumo e escrever uma nova história sempre.
Pessoal, municipal, estadual e nacional.
Com mais clareza e otimismo, tomaremos posse das partes todas que nos cabem neste belo latifúndio brasileiro!

 


Historiadora, escritora, angelóloga, produtora cultural
Que falar com a autora? crisframartino@hotmail.com

02 mai/16

Crítica Filme LONGE DESTE INSENSATO MUNDO

postado por Mateus Barbassa



 

Afinal, o que querem as mulheres? Essa pergunta que já gerou série, peça de teatro, tema de livros e filmes, esconde muita coisa, entre elas, uma tentativa de colocar o feminino num lugar de silenciamento porque se nem elas conseguem se entender, quem entenderia...? Freud quando formulou a pergunta no singular para sua analisanda e discípula Marie Bonaparte esperava realmente uma resposta ou algo que apenas reafirmasse seu ponto de vista?

"A grande pergunta que não foi nunca respondida e que eu não fui capaz ainda de responder, apesar de meus trinta anos de pesquisa sobre a alma feminina é – O que quer uma mulher?"

Compreendo o motivo da pergunta, mas ela me incomoda um pouco. Afinal, é possível saber o que uma pessoa deseja partindo apenas de sua condição biológica? Interessa-me mais entender o que uma pergunta como essa esconde. Ora, a subjetividade do desejo não se alcança com palavras. Porque elas esconderiam toda a construção sócio-cultural apreendida ao longo dos dias e dos séculos e séculos. Não podemos negar, nem muito menos esconder ou esquecer, que todo nosso aprendizado até aqui se deu dentro de uma lógica capitalista/consumista/moralista/cristã. Como fugir disso tudo? Ou melhor, como conhecer realmente o outro nisso tudo? Ou indo além, como se conhecer de verdade nisso tudo? Inseridos todos nesse contexto, nosso querer torna-se engessado, corruptível, manipulável.



Fiz todo esse prólogo para falar sobre um filme que mexeu muito comigo: “Longe Deste Insensato Mundo” do diretor Thomas Vinterberg. Adaptado do romance de Thomas Hardy escrito em 1874, tanto o livro, quanto o filme tem muito a nos dizer ainda hoje. Essa afirmação pode parecer absurdamente contraditória, visto que hoje em dia, vivenciamos um contexto bem diferente em relação ao que se supõe ser feminino, mas a coisa toda ainda é pertinente. Visto que ainda estamos meio que patinando nisso tudo. Meio que perdidos numa contemporaneidade líquida onde tudo é permitido, mas pouco ou quase nada é desejável. O que é ser mulher? Ou, o que é ser mulher num espaço dominado por homens? E ainda, o que é ser mulher num contexto em que alguns direitos antes negados são agora reconhecidos? Reconhecidos e legitimados por quem? O que fazer com isso, se toda a estrutura ainda continua praticamente a mesma? O que fazer com tudo isso num contexto onde só é reconhecido aquele que tem algum poder sobre os demais, aquele que pra sobreviver reprime, inferioriza os outros, aquele que “vence”? Não podemos nos esquecer nunca que os veículos midiáticos estão sempre à espreita para reterritorializar todo mundo de novo e colocar todo mundo em lados opostos de novo, e de novo, e de novo.



A protagonista vivida com brilhantismo pela Carey Mulligan, foi criada sem pais, e por isso, tornou-se muito solitária e independente. Ao longo do filme, três homens irão lhe propor casamento. Mas a pergunta aqui propositalmente deve mudar, ao invés de nos perguntarmos o que é que essa mulher quer, temos que entender primeiro o que é que cada um desses homens lhe oferece? E a partir daí entendermos porque ela nega ou aceita um convite. E é aí, só ai, que o título do filme faz um sentido enorme. Sim. Porque somente longe deste insensato mundo é que se pode criar novos territórios e novas formas de se relacionar. Belíssimo Filme!!!!
 

 

Mateus Barbassa é ator, diretor teatral e crítico de cinema