14 dez/17

THE SQUARE - Crítica

postado por Mateus Barbassa



É muito interessante perceber o quanto o enredo do filme “The Square” possui um paralelo com a onda conservadora que se apresentou no Brasil no ano de 2017. Estão lá a polêmica dos museus envolvendo crianças e os limites da arte contemporânea. É engraçado e triste ao mesmo tempo. Mas essa é a forma que o diretor sueco Ruben Östlund encontrou para contar sua história ou explicitar sua visão de mundo. O filme conta a história de Christian, um diretor de um conceituado museu que se vê às voltas com a organização de uma nova exposição intitulada “The Square”. O projeto é ao mesmo tempo extremamente simples e ambicioso. Simples porque a obra que dá título à exposição é composta apenas por quadrado luminoso no chão. Já a ambição se dá porque há grandes teorias e expectativas sobre a tal obra. A crítica aqui se dá na lacuna existente entre a ideia e sua concretização. O quanto de exagero e hipocrisia pode existir no discurso artístico e todo o mercado que se monta em volta do artista e da obra. O pensador francês Jean Baudrillard escreveu que "A Arte se integrou ao círculo da banalidade” e é esse o ponto nevrálgico de toda a provocação e reflexão suscitados pelo filme.

Mas de quem é a culpa? Se é que há um culpado? Ruben Östlund cutuca esse vespeiro de forma bastante crítica: sim, existe hoje um amontoado de “obras” consideradas de arte que só ganham destaque porque são legitimadas pelo mercado (leia-se marchands, galeristas, acionistas) e aduladas pelos críticos dos grandes jornais e revistas. Uma arte burguesa, submissa, tatibitate e que não encontra nenhuma reverberação crítica, política ou estética. Pura masturbação egoíca.

Existe uma saída? Sim! E isso fica visível na excelente cena da performance de um ator que imita um macaco num jantar de gente rica. O lugar da arte não é agradável, bonitinha e perfurmada. NÃO! É selvagem. Libertária. Livre. Errática. Cruel. Artaud escreveu que "se falta enxofre à nossa vida, quer dizer, se lhe falta uma magia constante, é porque nos apraz contemplar os nossos atos e nos perdermos em considerações sobre as formas sonhadas de nossos atos, ao invés de sermos impulsionados por eles". É exatamente isso que o personagem principal do filme irá aprender na marra lá pelas tantas. E o mais belo de tudo isso é que essa lição é ensinada por uma criança. Nossas palavras, ações e gestos possuem reverberação no mundo real. E é preciso saber lidar com isso. Não cabendo mais aqui se esconder atrás de um suposto mundinho artístico. Essa atitude só pode gerar uma arte ingênua, ou pior, pessoas letárgicas e covardes.